<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" ?><rss version="2.0">
        <channel><title>Presseurop | <![CDATA[Editorial]]></title>
            <link>http://www.presseurop.eu/pt</link>
            <description>O melhor da imprensa europeia</description>
            <language>pt</language>


























<item><title><![CDATA[Para “nossa” segurança?]]></title><link>http://www.presseurop.eu/pt/content/editorial/3882171-para-nossa-seguranca?xtor=RSS-15</link><description><![CDATA[<p><strong>Editorial</strong></p><p><p>“Isto é para vossa segurança.” Quantas vezes ouvimos esta fórmula, nos últimos anos, para justificar uma recusa, uma espera ou um entrave aos nossos movimentos? Ela entrava as nossas vidas desde que foi declarado o “combate ao terrorismo”.</p></p>

<p><p>É também para “nossa” segurança – na verdade, sobretudo a dos cidadãos dos Estados Unidos – que a Agência de Segurança Nacional norte-americana espia as comunicações dos seus cidadãos e a atividade on-line de centenas de milhões de pessoas no estrangeiro (através do programa PRISM), com <a href="/pt/content/cartoon/3878421-marioneta-de-obama">a cumplicidade</a> do Government Communications Headquarters [quartel-general de informações do Governo britânico], como foi <a href="/pt/content/article/3877261-nao-ha-privacidade-sem-delatores">revelado</a> pelos jornais <em>The Washington Post</em> e <em>The Guardian</em>, num dos furos jornalísticos mais importantes deste século. O problema é que tudo o que envolve essas atividades está coberto de secretismo: são tribunais que autorizam as escutas a eleitos que controlam os procedimentos.</p></p>

<p><p>Em democracia, as distorções das liberdades só são admissíveis se os cidadãos concordarem, se possível de maneira informada, e podendo exercer controlo, através de organismos representativos. Se a maioria dos norte-americanos acredita que abdicar da sua privacidade é um preço aceitável a pagar pela sua segurança, <a href="http://ec.europa.eu/public_opinion/archives/ebs/ebs_359_en.pdf">já os europeus não</a>. Não só são o principal alvo do programa PRISM, como não têm meios de controlo democrático sobre as entidades que os espiam. Quanto ao consentimento, escusado será dizer que não lhes foi solicitado.</p></p>

<p><p>Os riscos de abuso são demasiado grandes para que possamos confiar nas boas intenções dos “grandes ouvidos” do outro lado do Atlântico e do outro lado do Canal, e nas garantias de que não abusarão do seu poder. E a ameaça terrorista não pode – tal como a guerra perpétua da história de <em>1984</em> – servir continuamente de pretexto, para justificar a manutenção de um dispositivo de espionagem global. Torna-se difícil resistir à tentação de usar um tal dispositivo para outros fins mais concretos, nomeadamente, a espionagem comercial.</p></p>

<p><p>É por isso crucial que a União Europeia reveja o mais depressa possível a diretiva relativa à proteção de dados pessoais e aprove o mais depressa possível <a href="http://ec.europa.eu/justice/newsroom/data-protection/news/120125_en.htm">a reforma</a> dessa legislação. Proposta em 2012, continua a ser objeto de negociações entre os Vinte e Sete, que revelam grande dificuldade em encontrar um equilíbrio satisfatório entre segurança e liberdade.</p></p>]]></description><pubDate>Fri, 14 Jun 2013 17:10:47 +0100</pubDate><guid isPermalink="false">3882171</guid></item>





























































<item><title><![CDATA[Que Turquia queremos nós?]]></title><link>http://www.presseurop.eu/pt/content/editorial/3858651-que-turquia-queremos-nos?xtor=RSS-15</link><description><![CDATA[<p><strong>Editorial</strong></p><p><p>Garantir a prosperidade do povo não basta para evitar protestos. Segundo as <a href="http://europa.eu/rapid/press-release_IP-13-396_pt.htm">previsões da Comissão Europeia</a>, a Turquia deverá registar um crescimento de 3,2%, em 2013, e de 4%, em 2014, em comparação com -0,4% e +1,2% da zona euro, respetivamente. Mas centenas de milhares de turcos saíram à rua para <a href="/pt/content/article/3837731-erdogan-cercado-na-sua-torre-de-marfim">protestar contra a política e o poder</a> do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan. E o clima no país parece indicar que as manifestações poderão continuar, ainda que sem os atos de violência espetacular dos primeiros dias.</p></p>

<p><p>A situação económica e social não é o motivo original dos protestos, que eclodiram por causa de um projeto de ordenamento urbano em Istambul. E é esta a primeira diferença relativamente às primaveras árabes, às quais o movimento da Praça Taksim foi comparado.</p></p>

<p><p>A segunda diferença em relação às primaveras árabes é que Erdoğan não é um tirano que tenha arrebatado o poder em benefício de um clã, sem contemplações pelo bem-estar do seu povo e pela saúde do país. O líder do AKP, Partido da Justiça e do Desenvolvimento, foi eleito por três vezes, no quadro de escrutínios justos, e conta com um índice de popularidade suscetível de suscitar a inveja de muitos dirigentes europeus.</p></p>

<p><p>É, aliás, paradoxal, tentar identificar os acontecimentos na Turquia com os ocorridos no mundo árabe, depois de, durante tanto tempo, se ter explicado a vocação europeia daquele país. Contudo, nos últimos dez anos, os defensores da adesão da Turquia à UE têm confundido a política de modernização conduzida por Erdoğan com um desejo de europeizar o seu país.</p></p>

<p><p>A menos que se acredite que a civilização europeia se resume ao crescimento económico e a novos centros comerciais, ou que a Europa detém um monopólio intelectual sobre a mínima medida democrática tomada fora da UE, a ambição do primeiro-ministro turco para o seu país não fez dele o candidato ideal à adesão. Os manifestantes da Praça Taksim vieram recordar-nos que o projeto do AKP desenha uma via específica, conforme com as identidades múltiplas e por vezes contraditórias da Turquia: ponte entre dois continentes, encruzilhada de várias culturas, muçulmana, pós-otomana e kémalista.</p></p>

<p><p>Essa política teve a grande vantagem de fazer a Turquia livrar-se do seu papel de peão estratégico da NATO e de fornecedora de mão de obra barata. A Turquia é agora um parceiro comercial importante e uma potência política com a qual é possível contar. E a diáspora turca, que engloba uma juventude em muitos casos com nacionalidade dupla e multicultural, pode agora entrar e sair à vontade num país dinâmico, com benefícios para toda a gente.</p></p>

<p><p>É aliás essa juventude turca, aberta ao mundo e que vive dos frutos do crescimento impulsionado por Erdoğan, que lidera os protestos contra este último. Porque essa juventude aspira a uma qualidade de vida que não se resume a ter oportunidades. Essa juventude e os manifestantes de todas as idades que a seguem preocupam-se com o ambiente, querem escapar à dominação da religião, querem ser ouvidos e respeitados pelo poder.</p></p>

<p><p>Para a União Europeia, que, quatro dias antes das manifestações em Istambul, <a href="http://euobserver.com/tickers/120256">anunciava o seu desejo</a> de relançar as negociações de adesão, a situação é desconfortável. Recep Tayyip Erdoğan, que rotula os manifestantes de “terroristas” e <a href="http://www.project-syndicate.org/commentary/backsliding-on-human-rights-in-turkey-by-aryeh-neier">mantém na prisão</a> mais jornalistas do que a China ou o Irão, continuará a ser garante das boas relações entre a Turquia e a UE? O seu interesse pelos <a href="/pt/content/article/3347341-erdogan-faz-olhinhos-ao-clube-de-xangai">modelos russo e chinês</a> será compatível com os objetivos estratégicos e com os princípios da UE?</p></p>

<p><p>Ainda assim, Erdoğan continua a dispor de uma ampla base política e, para já, nem os kemalistas, nem os curdos, os comunistas ou os alevitas constituem uma alternativa credível ao seu poder. Depois de ter adotado uma política indefinida durante meio século, a UE deve interrogar-se sobre o que representa para si a Turquia e que relação quer construir com ela. Num momento em que uma parte do povo turco aspira a mais liberdade, a indefinição seria a pior opção.</p></p>]]></description><pubDate>Fri, 07 Jun 2013 17:28:06 +0100</pubDate><guid isPermalink="false">3858651</guid></item>






















































<item><title><![CDATA[Jogo de poderes em relação à Síria]]></title><link>http://www.presseurop.eu/pt/content/editorial/3830481-jogo-de-poderes-em-relacao-siria?xtor=RSS-15</link><description><![CDATA[<p><strong>Editorial</strong></p><p><p>Um pequeno ponto no mapa pode dar uma pista àqueles que se interrogam sobre o motivo do <a href="/pt/content/news-brief/3816081-ue-porta-aberta-para-armar-rebeliao-siria">embaraçoso fracasso</a> dos europeus em chegarem a acordo quanto a uma política comum sobre o embargo ao armamento imposto à Síria: a enorme jazida de gás <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/South_Pars_/_North_Dome_Gas-Condensate_field">South Pars/North Dome</a>, no Golfo, que se encontra uniformemente entre as águas do Irão e do Qatar. Teerão, aliado de Damasco, pretende construir um gasoduto, que atravessaria a Síria, para chegar à costa mediterrânica e ao rico mercado europeu. Doha, o principal patrocinador dos rebeldes, tem um <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/earth-insight/2013/may/13/1">projeto concorrente</a>, que atravessaria a Síria pós-Assad e a Turquia, para chegar ao mesmo destino. Significativamente, o agravamento da crise síria, no início de 2011, verificou-se apenas alguns meses depois de as negociações sobre o projeto iraniano terem começado, <a href="http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2012/08/201285133440424621.html">em finais de 2010</a>.</p></p>

<p><p>A França e o Reino Unido são, através dos respetivos gigantes nacionais – <a href="http://www.gdfsuez.com/actualites/communiques-de-presse/gdf-suez-entre-dans-lexploration-production-au-qatar/">GDF</a> e <a href="http://www.shell.com/global/aboutshell/major-projects-2/qatargas.html">Shell</a> – intervenientes de primeiro plano no setor do gás do Qatar. A Rússia tem um pacto firme com o Irão, para combater as tentativas dos Estados sunitas do Golfo e dos aliados ocidentais desses Estados de dar a volta à sua situação de quase monopólio sobre as disposições europeias.</p></p>

<p><p>A Alemanha está ligada à Rússia pelo gasoduto <a href="/pt/content/news-brief/38641-grandes-cheias-na-moravia">Nord Stream</a>, defendido pelo antigo chanceler Gerhard Schröder, e a ENI italiana é um parceiro importante da <a href="http://www.gazprom.com/press/news/2013/april/article159625/">Gazprom</a>. Assim, o facto de Paris e Londres estarem em desacordo com <a href="http://www.reuters.com/video/2013/05/29/germanys-merkel-rules-out-sending-weapon?videoId=243045493&amp;videoChannel=1">Berlim</a> e <a href="http://www.repubblica.it/esteri/2013/05/30/news/intervista_bonino-59961270/">Roma</a> quanto ao futuro da Síria parece menos de espantar.</p></p>

<p><p>O pesadelo sírio não é o único assunto relativamente ao qual a energia tem dividido a Europa, nos últimos tempos. O debate sobre os riscos ambientais e de saúde que a exploração de <a href="/pt/content/article/3824901-um-cheiro-controversia">reservas de gás de xisto europeias coloca</a> tem sido fortemente prejudicado por interesses nacionais antagónicos e, também, dificultado pela interferência do setor nuclear russo e pelas incertezas quanto à futura <a href="/pt/content/article/2639801-o-adeus-ao-nuclear-ressuscita-o-carvao">política energética da Alemanha</a>. Esta semana, a posição da UE no conflito comercial com a China em matéria de painéis solares <a href="/pt/content/article/3819591-pequim-gera-confusao-entre-os-europeus">foi destruída</a> pelo desacordo entre a França e a Alemanha sobre se as importações baratas de produtos de empresas chinesas subsidiadas pelo Estado deveriam ou não ser sujeitas a imposto.</p></p>

<p><p>Depois da reversão das teorias tradicionais sobre o “pico do petróleo”, o mundo parece estar à beira de uma importante revolução em matéria de fontes de energia. O grande investimento no gás de xisto e noutros hidrocarbonetos não convencionais poderá tornar os Estados Unidos autossuficientes até 2020, libertando aquele país das importações de petróleo e do peso geopolítico a estas associado – como já mostra o seu pouco interesse pela crise síria. Se algumas notícias recentes provenientes do <a href="http://www.theatlantic.com/magazine/archive/2013/05/what-if-we-never-run-out-of-oil/309294/">Japão</a> se revelarem certas, a exploração viável de hidratos de metano poderá fazer descer ainda mais os preços da energia – para aqueles que tiverem acesso a essa exploração.</p></p>

<p><p>Por essa altura, o já complicado plano da UE para <a href="/pt/content/article/3688421-caminho-livre-para-o-co2">redução de emissões de CO2</a> terá deixado de fazer sentido. Proteger as suas indústrias em dificuldades contra concorrentes que pagam uma fatura de energia reduzida a metade do preço tornar-se-á cada vez mais difícil, se não se arranjar uma maneira eficaz de aliar o “verde” ao “barato”. Mas, acima de tudo, energia e política tornar-se-ão indissociáveis. Toda a conversa acerca de uma união política não passará de motivo de riso, como já acontece com o desajeitado esforço da UE na área da diplomacia comum. Os governos europeus e os seus representantes do setor da energia terão de se sentar à volta de uma mesa e de desenvolver uma visão comum. Se isso não acontecer, o facto será lamentado muito para além dos círculos dos federalistas europeus.</p></p>]]></description><pubDate>Fri, 31 May 2013 18:21:57 +0100</pubDate><guid isPermalink="false">3830481</guid></item>































































<item><title><![CDATA[Mais um bilião]]></title><link>http://www.presseurop.eu/pt/content/editorial/3807741-mais-um-biliao?xtor=RSS-15</link><description><![CDATA[<p><strong>Editorial</strong></p><p><p>Foi o parente pobre do Conselho Europeu de 22 de maio e por uma boa razão: enquanto a <a href="/pt/content/article/3804131-muito-ruido-para-nada">evasão fiscal</a>, a “estrela” da cimeira, “pesa” <a href="/pt/content/editorial/3636571-um-biliao">cerca de um bilião de euros por ano</a> na Europa, a dependência energética do Velho Continente, em matéria de combustíveis fósseis, não vale <a href="http://www.europarl.europa.eu/document/activities/cont/201304/20130425ATT65196/20130425ATT65196EN.pdf">“senão” €388 mil milhões por ano</a>.</p></p>

<p><p>No entanto, a questão do fornecimento de energia foi longamente discutida pelos Vinte e Sete. Perante uma economia que tem dificuldade em crescer, contam com uma diminuição da fatura energética para inverter a tendência e relançar a competitividade das empresas. Fascinados com o exemplo dos Estados Unidos, onde a retoma foi impulsionada por uma energia mais barata conseguida através da exploração do gás e do petróleo de xisto e aterrorizadas com a <a href="http://ec.europa.eu/energy/observatory/electricity/doc/qreem_2012_quarter3.pdf">evolução do preço da eletricidade</a>, <a href="http://www.consilium.europa.eu/uedocs/cms_data/docs/pressdata/pt/ec/137206.pdf">os líderes europeus visam um triplo objetivo</a>: garantir preços acessíveis aos consumidores, reduzir a fatura das importações e assegurar uma produção interna contínua. Tudo isto, evidentemente, respeitando os compromissos assumidos em matéria de redução de emissões de CO2.</p></p>

<p><p>Para conseguirem esse milagre, é preciso não apenas que os Estados-membros ultrapassem os seus interesses nacionais – e a energia é, justamente, um dos domínios onde o interesse nacional prevalece sistematicamente dentro dos Vinte e Sete – e aceitem investir fortemente no desenvolvimento das energias “verdes”, em novas instalações de produção de energia térmica e em infraestruturas de transporte de matérias-primas e eletricidade. Um custo <a href="http://www.consilium.europa.eu/uedocs/cms_data/docs/pressdata/en/ec/137199.pdf">estimado por Herman Van Rompuy</a> em “um bilião de euros até 2020”. Um bilião… isso mesmo.</p></p>

<p><p>Ao mesmo tempo, durante a conferência de imprensa que se seguiu à reunião, o presidente do Conselho Europeu <a href="http://vloghvr.consilium.europa.eu/?p=9401">lembrou</a> que “os Estados podem igualmente desenvolver meios seguros e duradouros de usarem os seus próprios recursos – convencionais ou não. E “sim”, acrescentou, “isso também inclui o gás de xisto, que pode entrar no <a href="http://epp.eurostat.ec.europa.eu/statistics_explained/images/d/de/Production_of_primary_energy%2C_EU-27%2C_2010_%28%25_of_total%2C_based_on_tonnes_of_oil_equivalent%29.png">pacote energético</a> de alguns Estados-membros”. Alguns deles, como o Reino Unido e a Roménia, não esperaram pelo Conselho Europeu para se lançarem na exploração deste hidrocarboneto, cujas reservas, na Europa, se anunciam astronómicas, mas cuja exploração é controversa, por causa do seu longo impacto no ambiente. É o que as indústrias <a href="/pt/content/article/3791961-sombras-sobre-politica-energetica">mais desejam</a>.</p></p>

<p><p>No entanto, antes de virarem as costas à ambição de se tornarem os precursores do pós-petróleo, porque ainda não começaram a perfurar aquilo que têm, os Estados-membros podem, se quiserem verdadeiramente dar um empurrão às empresas no que diz respeito à energia, começar a reduzir os impostos que recaem sobre ela: nos Estados Unidos <a href="http://energia.fi/sites/default/files/et_energiav_naytto_eng_040211.pdf">os impostos sobre a eletricidade vendida à indústria</a> são iguais a zero, enquanto na Europa a média ronda um cêntimo de euro por kilowatt/hora.</p></p>]]></description><pubDate>Fri, 24 May 2013 16:40:03 +0100</pubDate><guid isPermalink="false">3807741</guid></item>


































</channel></rss>