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        <channel><title>Presseurop | <![CDATA[Blogue]]></title>
            <link>http://www.presseurop.eu/pt</link>
            <description>O melhor da imprensa europeia</description>
            <language>pt</language>

<item><title><![CDATA[Um Fórum para os europeus de amanhã]]></title><link>http://www.presseurop.eu/pt/content/blog/3807361-um-forum-para-os-europeus-de-amanha?xtor=RSS-16</link><description><![CDATA[<p><strong>Blogue</strong></p><img style="display:block;" src="http://www.presseurop.eu/files/images/blog/forum_0.png" alt="" /><p>Para dar uma maior consistência às discussões levadas a cabo nas nossas páginas, decidimos organizar o Fórum Presseurop: uma série de debates sobre os assuntos que marcaram a atualidade europeia recente – a crise das instituições europeias, a crise do euro e as suas consequências e a cidadania europeia, um ano antes das eleições.</p>

<p>Moderados por um jornalista do Presseurop, os debates terão lugar no dia 4 de junho, no seio do Parlamento Europeu, em Bruxelas. Contarão com a presença de deputados europeus, nomeadamente <a href="http://www.europarl.europa.eu/meps/pt/28248/GABRIELE_ZIMMER_home.html">Gabriele Zimmer</a> e <a href="http://www.europarl.europa.eu/meps/pt/4346/Miguel%20Angel%20MART%C3%8DNEZ%20MART%C3%8DNEZ_home.html">Miguel Angel Martínez Martínez</a>; de jornalistas europeus cujos artigos alimentaram a discussão no Presseurop, entre os quais <a href="/pt/content/author/18611-adriana-cerretelli">Adriana Cerretelli</a>, <a href="/pt/content/author/2903541-bruno-waterfield">Bruno Waterfield</a>, <a href="/pt/content/author/286201-jean-quatremer">Jean Quatremer</a> e <a href="/pt/content/author/198301-marek-magierowski">Marek Magierowski</a>; e leitores, selecionados entre os mais assíduos.</p>

<p>Os debates serão transmitidos em <em>streaming</em> no Presseurop.eu e serão objeto de um <em>livetweet</em> em dez línguas. Acompanhe desde já a discussão em <a href="https://twitter.com/search?q=forumPE&amp;src=typd">#ForumPE</a>.</p>]]></description><pubDate>Fri, 24 May 2013 17:30:25 +0100</pubDate><guid isPermalink="false">3807361</guid></item>



























































































<item><title><![CDATA[Tomáš Sedláček: “Fetichizámos a Economia”]]></title><link>http://www.presseurop.eu/pt/content/blog/3765361-tomas-sedlacek-fetichizamos-economia?xtor=RSS-16</link><description><![CDATA[<p><strong>Blogue</strong></p><img style="display:block;" src="http://www.presseurop.eu/files/images/blog/neoluxor (1).jpg" alt="" /><p>Considerado um dos economistas mais talentosos da atualiade, Tomáš Sedláček considera que a Economia devia ser humanizada. O seu <em>bestseller</em> internacional, uma obra de não ficção, <em>A economia do bem e do mal</em>, foi publicado recentemente em França. O <em>Presseurop</em> encontrou-se com ele para uma entrevista.</p>

<p><strong>Em <em>A economia do bem e do mal</em>, afirma que as fronteiras da Economia, que a definem como uma ciência exata baseada em fórmulas matemáticas, deveriam alargar-se para poderem ter em consideração a Filosofia, a Religião e as Artes. Até que ponto estamos perante um conceito novo e a que se refere o título do seu novo livro?</strong></p>

<p>Temos tendência para separar o pensamento técnico das questões da alma. A Economia orgulha-se de ser bastante difícil e eu tento provar que, se separarmos corpo e mente, ambos deixam de ter sentido. As questões clássicas que nós, economistas, colocamos a nós próprios são: A Economia funciona? A Economia é eficiente? Mas o que deveríamos questionar era o propósito da Economia.</p>

<p><strong>E afinal que propósito é esse?</strong></p>

<p>A ideia é ligar a Economia a outras disciplinas. A <em>Bíblia</em> perde o seu sentido se for lida apenas espiritualmente. A Economia perde o seu sentido se só for vista sob uma perspetiva técnica. É isto que tento fazer no meu livro: falar</p>

<p>da alma da Economia e torná-la visível. Se quisermos que seja justa, então a Economia tem de ter outro aspeto. Se apenas quisermos que a Economia nos dê riqueza, que havemos de fazer? Se deixarmos tudo isto na mão invisível do mercado, serão os mercados a guiar-nos. Eu chamo a isto uma orquestra inorquestrada. Se não somos capazes de a orquestrar, então será ela a orquestrar-nos a nós.</p>

<p><strong>Será, então, que temos de reintroduzir a ética na Economia?</strong></p>

<p>Muito se tem discutido sobre o facto de precisarmos de pôr ética e humanidade na Economia. Concordo com isso, mas</p>

<p>a Economia tem a sua própria ética: a pessoa tem de ser eficiente, tem de ser racional e não pode ser emocional;</p>

<p>não há problemas se formos egoístas e as nações podem velar pelos seus interesses. Cada sistema tem uma ética própria.</p>

<p>Acabei de ler uma história sobre Sodoma e Gomorra. Ali a questão ética era que uma pessoa não podia ajudar ninguém. É a história de duas raparigas que dão um pão a um pedinte esfomeado. Quando as pessoas descobrem que elas tinham agido contra a ética de Sodoma e Gomorra, uma é queimada viva e a outra pendurada num dos muros da cidade, onde fica toda besuntada de mel para ser comida viva pelas abelhas. O nazismo tinha uma ética própria, o comunismo tinha uma ética própria e a Economia tem uma ética própria. Por isso, se estamos descontentes com a ética do nosso tempo, devíamos mudá-la.</p>

<p><strong>Existe aqui alguma semelhança com a religião que pudesse estabelecer um equilíbrio entre materialidade e espiritualidade em Economia?</strong></p>

<p>A Economia transformou-se numa espécie de religião. É ela que nos diz o que fazer, como pensar, quem nós somos, como encontrar sentido para a nossa vida, como nos relacionarmos com os outros e com base em que princípios é que a sociedade se mantém coesa. Num certo sentido, já tem características religiosas. Se tirarmos a Matemática à Economia, resta-nos pura moralidade.</p>

<p><strong>Em <em>A economia do bem e do mal</em>, afirma que ficámos obcecados com a ideia do crescimento económico. Considera-se uma pessoa contra o progresso?</strong></p>

<p>Não sou contra o crescimento nem contra o progresso. A questão é que o fetichizámos. Escolhi exemplos de uma cultura alta e baixa para demonstrar que, ao fetichizarmos uma coisa, essa coisa destrói-nos. Pode ser a ética, a economia, a religião e até mesmo a nossa cara-metade. Se fetichizarmos o nosso amor, podemos dar cabo dos nervos. É por isso que lhe chamei uma inversão sujeito-objeto. Criamos uma coisa que, supostamente, nos dá ouvidos e está às nossas ordens e, depois, acontece qualquer coisa que inverte a relação sujeito-objeto e somos nós que acabamos por lhe dar ouvidos e estar às suas ordens.</p>

<p>Na literatura, encontrei muitos exemplos, de <em>O Golem</em> à lâmpada de <em>Aladino</em> e <em>O Senhor dos Anéis</em>. No início, e</p>

<p>ainda acredito nisso, o sistema – chamemos-lhe mercado livre – era um campo fértil para o crescimento. Com o tempo, houve uma inversão e o sistema transformou-se numa <em>conditio sine qua non</em> do mercado livre. Ficaríamos gratos se houvesse crescimento mas, se isso não acontecesse, teríamos de conseguir sobreviver. A crise só acontece porque achamos que a nossa civilização vai desaparecer sem crescimento. O crescimento não se verifica sempre: há anos em que inventamos uma série de coisas e outros em que não inventamos nada. Há anos em que temos um forte crescimento do PIB e outros em que esse crescimento é nulo ou negativo.</p>

<p><strong>Há alguma coisa positiva na atual crise?</strong></p>

<p>[Carl] Jung disse que não havia nada que se alterasse fora da crise, especialmente a natureza humana. Esta não é uma crise europeia, mas uma crise do mundo ocidental. A América, o Japão e a Europa tentam lidar com ela, cada um à sua maneira. O mais importante é que se fale disso. Até as pessoas nas pequenas aldeias perdidas nas montanhas falam hoje da Europa.</p>

<p>Fazemos troça da América, de terem orgulho naquilo que construíram. Na Europa, não temos orgulho do que construímos. A crise forçou a Europa a integrar-se mais depressa do que nunca. Se há 10 anos alguém falasse em pacto orçamental, teria sido uma verdadeira blasfémia. Ajudarmo-nos uns aos outros, como acontece hoje, é uma coisa sem precedentes. É por isso que tenho esperança de que a Europa saia fortalecida de tudo isto. Nos bons velhos tempos, não se sabia onde estava metade da Europa. Vejo a crise como uma oportunidade para a Europa dar um passo em frente..</p>

<p><strong>E os sentimentos eurocéticos sobre a Europa e sobre o euro?</strong></p>

<p>Comparativamente com as décadas de 1920 e de 1930, não representam um verdadeiro perigo.</p>

<p><strong>Que opinião tem sobre as políticas de austeridade europeias que têm sido postas em prática desde o início da crise?</strong></p>

<p>Podemos fazer uma comparação com a América, que continua a fazer a mesma coisa, a acrescentar mais energia fiscal, mais défices e a imprimir moeda. Aqui na Europa, estamos a tentar pegar o touro pelos chifres. Sabemos que nos tornámos viciados em défice e que precisamos de crescer passando por uma penosa desintoxicação. Se não o fizermos, seremos aniquilados pela economia.</p>

<p>Temos de ser competitivos por causa da China e de outros mercados emergentes. Claro que a austeridade apareceu no momento mais inoportuno. O ano passado, em Davos, o assunto era a grande transformação e a procura de novos modelos. Uma pessoa nunca se questiona, exceto quando se vê metida em sarilhos.</p>

<p><strong>Como explica o facto de alguns políticos alemães se recusarem a pagar as dívidas dos gregos ou dos portugueses e imporem austeridade?</strong></p>

<p>A questão é saber se a Grécia é um mercado ou se é da nossa família. Se uma pessoa da nossa família partir uma perna, nós vamos a correr ajudá-la, mas se for o padeiro, vamos a outro. Sem ressentimentos, não estamos interessados no padeiro, mas sim em comprar pão.</p>

<p>Na América, não têm problemas destes. Estão a fazer transferências entre Estados para centenas de anos, mas isso pouco se nota por se tratar de uma federação. Em França, acontece o mesmo, com as regiões mais fortes a transferirem dinheiro para as mais frágeis. Acontece o mesmo na República Checa. Devíamos, pois, perguntar quem é o nosso vizinho, se apenas a França, ou também a Grécia.</p>

<p><strong>Sabemos que as crises são uma oportunidade para repensar os modelos económicos. Que conselho daria aos líderes europeus para que evitassem mais défice nos seus países?</strong></p>

<p>Há umas gerações, os políticos europeus influenciavam a economia de duas maneiras: controlavam a política monetária e influenciavam a política fiscal. Simplificando, a política monetária é o monopólio que o governo tem de emitir moeda, ao passo que a política fiscal é o monopólio que o governo tem de emitir dívida. Neste momento, a política monetária está fora da alçada dos políticos, que estão de pés e mãos atados.</p>

<p>Hoje em dia, os políticos na Europa não podem emitir moeda. Continuam a poder emitir toda a dívida que querem e não há quase nada que os faça parar. A pressão da União Europeia e dos mercados não é suficiente. Os mercados reagem muito pouco e muito tarde e o objetivo europeu acordado por nós, enquanto federação, para que as nações não tivessem um défice superior a 3% do PIB, não se revelou suficientemente poderoso para reduzir os défices.</p>

<p>É por isso que a Europa não tem o problema da inflação, é por isso que estamos a tentar resolver tudo de uma única</p>

<p>maneira, emitindo dívida. A questão que hoje se discute é saber se devíamos aplicar as duas medidas, ou se também devíamos impedir a segunda. Acho que o papel do governo devia ser mínimo e que os governos também deviam desistir de controlar o nível de défice existente.</p>

<p><strong>Se olhasse para o estado da Europa, a que mitos ou filme o compararia?</strong></p>

<p>A <em>O Senhor dos Anéis</em>. Gnomos e anões odeiam-se uns aos outros, ao passo que os hobbits juntam-se e atravessam juntos os tempos mais difíceis. Enquanto as coisas correram bem, ninguém se interessava pela Europa. Começámos a dar por adquirido o facto de haver paz e comércio. A ideia da União Europeia era fazer trocas comerciais e não andar em guerra. A II Guerra Mundial resultou da fetichização da ideia de um Estado-nação. Podemos considerar que a União Europeia resulta dessa fetichização. O que fizemos, e que foi um lance engenhoso, foi trocar o crescimento geográfico de uma nação pelo seu crescimento económico. Mas não pensamos no PIB da Europa: continuamos a pensar no PIB de França versus o PIB da Alemanha versus o PIB da Grécia. Não há dúvida de que trocar o crescimento geográfico pelo económico é</p>

<p>positivo e é bom. Agora que crescemos economicamente, também podemos trocar esse crescimento por crescimento noutras áreas como, por exemplo, cultura, interação social e outros importantes domínios.</p>]]></description><pubDate>Wed, 15 May 2013 15:57:59 +0100</pubDate><guid isPermalink="false">3765361</guid></item>


































<item><title><![CDATA[Mario Monti: Mudar as políticas económicas, mas não por pressão dos nacionalismos]]></title><link>http://www.presseurop.eu/pt/content/blog/3764251-mario-monti-mudar-politicas-economicas-mas-nao-por-pressao-dos-nacionalismos?xtor=RSS-16</link><description><![CDATA[<p><strong>Blogue</strong></p><p><p>Dois anos mudam muita coisa. Em 2011, <a href="/pt/content/blog/668751-mario-monti-os-estados-devem-assumir-suas-responsabilidades">entrevistámos Mario Monti</a>, por ocasião da conferência <a href="http://www.eui.eu/News/2011/05-13-TheStateofTheUnionWRAP-UP.aspx">State of the Union</a>, organizada no quadro do <a href="http://www.festivaldeuropa.eu/">Festival da Europa</a>, em Florença (de que o Presseurop é parceiro). Na altura, o ex-comissário europeu e presidente da Universidade Bocconi respondeu-nos descontraidamente, durante uma pausa dos trabalhos. Este ano, foi um ex-primeiro-ministro de Itália, cercado por guarda-costas e com uma agenda controlada ao milímetro, que participou <a href="http://stateoftheunion.eui.eu/">na edição de 2013</a> do State of the Union. Mas após uma curta <a href="http://notizie.tiscali.it/videonews/169665/Politica/">conferência de imprensa</a> para os muitos jornalistas italianos ávidos do seu prognóstico sobre o governo do seu sucessor, Enrico Letta, Mario Monti aceitou parar dois minutos para nos responder, em francês.</p></p>

<p><p>Há dois anos, o antigo comissário europeu e reitor da Universidade Boccotransmitiu-nos a sua opinião sobre a ameaça que a crise representava para o mercado único e o euro. O futuro destes dois pilares da União Europeia parece hoje assegurado, mas subsistem dúvidas sobre a forma como a UE e os Estados-membros combatem a crise. Considera Mario Monti que a atmosfera que se vive na Europa é hoje mais favorável à resolução da crise do que em 2011?</p></p>

<p><blockquote> <p>Acho que sim. Muitos progressos concretos têm sido feitos no sentido da resolução da crise. Também foram projetadas políticas europeias para futuro, traçando um plano, que está a ser finalizado, para uma verdadeira e profunda união económica e monetária, sob a égide do grupo presidido por Van Rompuy. E acho que, finalmente, os Chefes de Estado e de Governo estão a levar mais a sério aspetos políticos e psicológicos, tais como o nacionalismo ou os populismos. Isto não chega necessariamente para mudar as políticas económicas. De qualquer modo, considero que precisam de ser mudadas, mas não em resposta a fenómenos nacionalistas e populistas. Mas se quisermos levar a cabo certas políticas num clima muito exposto ao risco de rejeição por via nacionalista e populista, é preciso tomar cuidados adicionais.</p></p>

<p></blockquote> <p>Durante o seu mandato de Presidente do Conselho de Itália, em particular na primavera de 2012, Mario Monti tentou, com o francês François Hollande e o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, reequilibrar as relações entre Estados-membros e obter uma certa flexibilização das posições da Alemanha. Acha que as diferenças de pontos de vista entre a França e a Alemanha são um elemento sustentável ainda que incómodo no tratamento da crise e da continuidade do projeto europeu?</p></p>

<p><blockquote> <p>Continuo convencido de que uma boa cooperação franco-alemã é uma condição essencial para o avanço da Europa. Essencial, necessária, mas não suficiente. Portanto, é também muito importante que o eixo franco-alemão não seja feito de uma forma que dê a impressão de ser exclusivo e discriminatório. Foi um pouco o caso do acordo entre Merkel e Sarkozy, mas muito menos sensível no momento a que assisti, de Merkel e Hollande, além de vários outros.</p></p>

<p></blockquote></p>]]></description><pubDate>Fri, 10 May 2013 16:19:41 +0100</pubDate><guid isPermalink="false">3764251</guid></item>





































































































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