Economia Euro

Suiça: “Bem-vindos à zona euro”

7 setembro 2011
Presseurop

Após três meses de polémicas acerca da subida do franco suíço, o Banco Nacional Suíço (BNS) decidiu finalmente fixar uma taxa de câmbio mínima entre a moeda helvética e o euro. Na Europa, as reações oscilam entre a surpresa e a curiosidade por uma decisão que aparece no momento em que a moeda única está em plena agitação.

"A opção nuclear", que consiste em fixar a taxa de câmbio mínima entre o franco suíço e o euro (1,2 francos por cada euro) constitui um "grande plano", como designa em título o Le Temps. Para o habitante comum de Genebra, esta opção 

Le Temps, Genève

desafia frontalmente a lógica dos mercados financeiros que procuram refúgio [no franco suíço] para se protegerem de uma zona euro próxima da implosão e de um dólar enxague por montanhas de dívidas e défices". "O BNS considerou que, proporcionalmente, a zona euro e a economia americana já não oferecem, a médio prazo, qualquer garantia de voltarem a encontrar uma aparência de estabilidade. Para as empresas de exportação, a subida do franco [desde o início do ano, a moeda helvética subiu 11% face ao euro e mais de 15% face ao dólar] estava a tornar-se insuportável e fatal, de tal forma é rápida e brutal.

"Bem-vindos ao clube do euro", lança o Handelsblatt, que ilustra a frase com uma fotomontagem mostrando a bandeira de UE aos pés do Cervin, a montanha emblemática da Suíça. Para o jornal de economia de Dusseldorf, a decisão do BNS marca "o fim de uma época". A Suíça, que desde sempre preservou muito a sua independência, liga a sua moeda ao euro. "As indústrias ligadas à exportação sofreram demais com a força do franco". O seu congénere Die Welt constata por sua vez que "deixou de haver ilhas" na Europa.

Handelsblatt, Düsseldorf

Durante anos a Suíça manteve um estatuto de exceção: fracos impostos sobre o capital, um sigilo bancário inabalável, a economia era estável", recorda o jornal diário de Berlim. Mas "uma moeda nacional demasiadamente forte constitui uma ameaça existencial para as exportações e para o turismo". De facto, esta decisão revela duas coisas: a dita "ilha" está, na verdade, estreitamente ligada à zona euro, e a Suíça terá forçosamente que se tornar cada vez mais europeia. Isto demonstra também que um "sistema económico transnacional não aguenta desequilíbrios entre divisas.

"O franco contrai-se", titula o Gazeta Wyborcza, realçando que "o governo suíço surpreendeu todos ao fixar uma plataforma para a taxa de câmbio da sua moeda e ao afirmar que iria defendê-la até ao fim". Para este diário de Varsóvia, 

Gazeta Wyborcza, Varsovie

esta intervenção é um ato de desespero do BNS, que tentou desvalorizar o franco durante meses. Uma moeda forte significa, de facto, que o ‘made in Switzerland’ é caro para a exportação, que as empresas suíças estão a gerar desemprego, que os suíços vão fazer as suas compras aos países vizinhos, que se tornaram mais baratos. De que armas dispõe o BNS? Em primeiro lugar, de enormes reservas financeiras; depois, pode emitir moeda. É o que os bancos centrais europeu e americano fazem quando precisam de mais liquidez para adquirirem títulos do tesouro dos países ameaçados de bancarrota.