Economia Euro

O euro não tem descanso

28 novembro 2011
Presseurop
Die Welt, El Economista, La Tribune & 3 outros

Tom Janssen

A notação de todos os países europeus está ameaçada, avisou a Moody’s a 28 de novembro. Esta advertência chega no momento em que a Itália está sob pressão dos mercados e as propostas de soluções para a crise multiplicam-se. Mas talvez seja já demasiado tarde, diz com preocupação a imprensa europeia.

“O euro vai passar o Natal?”: a pergunta posta pelo Journal du Dimanche assombra a UE. O semanário parisiense baseia-se na previsão catastrófica do ensaísta Jacques Attali segundo a qual o euro não sobreviverá ao fim do ano se os líderes “não olharem mais longe do que os seus próprios prazos eleitorais”. Resta “um mês para salvar o euro”, garante o jornal:

Le Journal du Dimanche, Paris

Depois da Grécia, da Irlanda e de Portugal, o vírus mortal chegou a Itália. Esta semana, a Península sobre endividada vendeu obrigações a taxas de juro exorbitantes. Na sexta-feira, os credores exigiram 7,8% por um empréstimo a dois anos, ou seja, mais 3,2 pontos dos que há dois meses. […] Se a terceira economia da zona euro cair numa situação de incumprimento, a União monetária não durará muito. […] A tensão está no auge. Antes do fim de semana, a agência Standard & Poor’s baixou a nota da Bélgica. Na próxima quinta-feira, Paris deverá por à venda títulos entre os três e os 4,5 mil milhões de euros. Um verdadeiro teste, num momento em que os credores estão a virar as costas à Alemanha por causa dos seus juros baixos. Na semana passada, Berlim queria por seis mil milhões de euros de dívida nos mercados. Conseguiu vender apenas 3,6. Uma surpresa.

“A crise do euro e da dívida chegou a um ponto de viragem destinado a marcar a economia europeia e até mesmo as estruturas constitucionais do continente”, afirma o Corriere della Sera :

Corriere della Sera, Milan

Dentro de algumas semanas, nada será como dantes, mas ninguém pode ter a certeza de que tudo se passará como prevê o calendário estabelecido […]. Amanhã a Itália enfrenta uma emissão muito delicada de títulos da dívida. Nesse mesmo dia, o Eurogrupo apreciará as propostas francesas e (sobretudo) alemãs sobre aquilo a que a chanceler Angela Merkel chama união fiscal. […] Estas alterações, a menos que haja surpresas, serão aprovadas na cimeira de 9 de dezembro. No dia anterior, o BCE deverá decidir uma oferta ilimitada de liquidez a dois ou (mais provavelmente) três anos para dar oxigénio aos bancos. E nessa altura, o primeiro-ministro Mario Monti terá feito aprovar em conselho de ministros as medidas para estabilizar a Itália. Estará tudo pronto para que o BCE possa agir. Poderá anunciar limites de diferencial sobre os títulos da dívida soberana [diferença entre as taxas de juro mais baixas e as mais altas sobre as obrigações do Estado] para além dos quais intervirá sem limites sobre os mercados. Mas, de qualquer modo, os limites serão suficientemente elevados para obrigarem os Estados a fazerem baixar as taxas de juro. É este o caminho para virar a página da crise. A Europa prepara-se para o percorrer, sabendo que, no passado, já se perdeu muitas vezes.

La Stampa escreve que Angela Merkel e Nicolas Sarkozy “alargaram a Mario Monti o acordo para alterar os tratados europeus” e faz título com o “pacto a três para a Europa”. Nas páginas do diário de Turim, o economista Franco Bruni constata que:

La Stampa, Turin

As dificuldades da dívida italiana parecem vir do principal problema da economia mundial. É possível que isto seja um exagero. O excesso de dramatização é típico de certas fases das crises financeiras, sobretudo quando as medidas de ajustamento e as reformas enfrentam obstáculos políticos e sociais. Esta dramatização excessiva também diz respeito às discussões continuas sobre o fim do euro, sem se saber de que é que se fala e sem compreender que isso nada resolve e que incomoda toda a gente.

A contagem decrescente é também a imagem usada por La Tribune:

La Tribune, Paris

Tic tac, tic tac... O cronómetro que mede as hipóteses de sobrevivência do euro está impaciente. (…) Oficialmente, a Alemanha continua a opor-se a uma intervenção do BCE de maior envergadura. Ao ritmo a que continua a crise, esta recusa obstinada lembra o comportamento de um bombeiro que deixa a casa arder para ensinar às crianças que é perigoso brincar com fósforos.

De facto, em Madrid, El Economista aposta no colapso da zona euro em duas zonas distintas, uma para os países virtuosos e outra para os mais frágeis. Será, por isso, Angela “Merkel [que] escolherá nove países para criar um super euro”, escreve o diário, porque a chanceler

El Economista, Madrid

quer que seja assinado um acordo, país a país, sobre um novo Pacto de estabilidade, semelhante ao mecanismo dos acordos de Schengen. Nove é, de facto, segundo as regras da UE, o número mínimo de países que podem adotar acordos de cooperação reforçada. Merkel está satisfeita com esta fórmula por duas razões evidentes: o tempo e a simplicidade para a pôr em marcha (…): o acordo pode ser ativado em janeiro ou fevereiro de 2012, um prazo meteórico, se comparado com o tempo necessário para alterar um tratado, que nunca é inferior a um ano (…). A Itália e a Espanha farão parte do clube. A sua inclusão é vital para esses dois países, porque os signatários terão o apoio permanente do BCE. Sem esquecer que, assim, se evitaria uma divisão entre o Norte e o Sul.

Em Berlim, Die Welt vê chegar as “obrigações do Estado de elite” defendidas pela Alemanha: “Seis países da zona euro com a mais elevada solvabilidade (Triplo A), vão criar obrigações do Tesouro comuns em que os juros estarão, na melhor das hipóteses, entre os 2% e os 2,5%”. No editorial, o jornal escreve que:

Die Welt, Berlin

Os mercados exigem um sinal credível. […] Os novos acordos, quaisquer que sejam – vão fazer passar a mensagem: agora, é a mão de ferro de Merkel que governa a Europa.