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Saúde mental: Estudo revela Europa louca e triste

7 setembro 2011
Presseurop
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Estudo revela que quase 40% da população da Europa sofre, todos os anos, de um distúrbio mental, escreve o Irish Examiner. Para além da depressão, o estudo realizado pelo European College of Neuropsychopharmacology inclui ainda no seu âmbito distúrbios mentais e doenças neurológicas como a demência e o Parkinson. Deficit de atenção e hiperatividade nas crianças, bem como ataques de pânico, distúrbios obsessivo-compulsivos e timidez, também fazem parte da impressionante panóplia de sintomas apresentados por 165 milhões de europeus. “E, com apenas um terço dos casos a receberem a terapia ou medicação necessária, as doenças mentais  são um enorme fardo económico e social – estimado em centenas de milhares de euros”, escreve o diário Cork.

O The Daily Telegraph  sublinha o facto de duas vezes e meia mais mulheres do que homens sofrerem de depressão, “com a maioria dos casos a ocorrerem durante os ‘anos reprodutivos’, entre os 16 e os 42”. Segundo o relatório, “o esforço de tentarem tomar conta dos filhos, serem  responsáveis pela família e ainda terem um emprego fez  com que o número de casos de depressão, entre as mulheres, dobraram desde os anos de 1970”. Enquanto a depressão (30.3 milhões no total) e a ansiedade (69.1 milhões no total) parecem ser doenças sobretudos femininas, o alcoolismo (14.6 milhões no total) é um problema que afeta especialmente os homens, particularmente no Leste da Europa.

A escritora Lisa Appignanesi escreve no The Guardian que este “preocupante” relatório “chama a atenção para o aumento do sofrimento humano, mas aponta a tendência para a supremacia na área da saúde mental”. Num artigo muito cético, Appignanesi escreve que as profissões psiquiátricas “criam cada vez mais e mais categorias ‘inventando’ distúrbios pelo caminho e reduzindo radicalmente o alcance daquilo que pode ser considerado normal e saudável. Entretanto, as grandes farmacêuticas, alimentando o seu apetite pelo lucro e o nosso pelos medicamentos, ganharam um ascende sem precedentes sobre as nossas vidas mentais e emocionais, a normalidade medicada”.