A comuna livre de Christiania e o governo dinamarquês assinaram, a 21 de junho, um acordo que permite aos habitantes do mais célebre bairro alternativo da Europa comprarem ao Estado a maior parte daquela zona. Ao fim de oito anos de contencioso, o executivo liberal-conservador e os habitantes da comuna livre conseguiram por fim entender-se sobre as modalidades de compra desta antiga base naval desativada de Copenhaga, ocupada desde os anos de 1970. Os christianios criaram, para isso, uma fundação que agora comprará o terreno em seu nome, explica a imprensa dinamarquesa.
Uma solução perfeita, segundo o Politiken, que revela mesmo “puro budismo: uma síntese de paz, harmonia e emancipação”. O acordo marca a “capitulação da Dinamarca conservadora”, acrescenta o diário social-liberal, que presta a sua homenagem ao “pragmatismo necessário” do ministro das Finanças, o liberal Claus Hjort Frederiksen, após anos de luta, por parte do governo, com recurso a símbolos.
Este lado pragmático do acordo é também sublinhado pelo Berlingske, para quem “a destruição de Christiania, que seria, em princípio, o que seria feito num Estado de Direito, muito provavelmente iria desencadear qualquer coisa semelhante a uma guerra civil. O que teria criado um profundo fosso de desconfiança entre a população e as autoridades”. O diário conservador, no entanto, crítica o fundo da questão: “durante 40 anos, os christianios viveram como parasitas na costa dos outros cidadãos para realizarem a sua dita liberdade. Uma liberdade privada que não deve ser recompensada”.
Uma opinião partilhada pelo Jyllands-Posten, para quem na base desta questão está um roubo, porque Christiania foi fundada sobre um terreno vazio, em 1971 – nunca ninguém pagou nada – e o preço negociado pelos habitantes, 10.2 milhões de euros, ou seja, 469 euros por metro quadrado, é muito baixo, na opinião do jornal. “Este caso mostra que basta que o roubo seja suficientemente grande para que o crime compense”, indigna-se o diário liberal, que lembra que Christiania se tornou, ao longo dos anos, um centro de tráfico de droga e acrescenta esperar que o acordo com o governo inclua uma legislação da comuna a todos os níveis: “que acabe o tráfico e que a polícia possa fazer o seu trabalho, mas também que os christianios renunciem à proteção obsessiva da sua vida privada, para que os turistas possam fotografar à vontade – de acordo com a lei – sem serem agredidos”.
Um setor público tentacular, sindicatos todo-poderosos, uma política de clientelas. Na Grécia, os empresários têm uma lista de queixas interminável. Mas, depois de terem deslocalizado, negligenciado a investigação e praticado a evasão fiscal, estariam entre os primeiros a sofrer com uma saída do euro.
Apesar de se considerar como um povo ligado à Internet, as estatísticas mostram que apenas um terço da população da Estónia tem uma conta nesta conhecidíssima rede social. Porque a vida privada deve ser isso mesmo, pensam os restantes.
Alexis Tsipras, vencedor das eleições de 6 de maio e líder da coligação de esquerda radical Syriza, é a estrela do momento da política grega. A três semanas das legislativas de 17 de junho, o seu programa, que oscila entre o pragmatismo e a luta de classes, preocupa muitas capitais europeias.