Perante as muitas comparações estabelecidas na imprensa entre o movimento 15-M e as "revoluções árabes", o editorialista do diário El País Lluís Bassets reconhece haver elementos comuns – "a mudança de geração, a utilização das redes sociais e a crise económica, que destrói empregos e esperanças" – mas salienta que os seus atores e os seus objetivos não estão claramente definidos.
"Para ter uma finalidade, seria preciso que esta revolução tivesse objetivos tão claros, difíceis mas tangíveis, como foi expulsar Ben Ali ou Mubarak. […] Os jovens árabes queriam votar como nós e os nossos querem que não se vote. A diferença está aí. Quando rejeita tudo, uma revolução acaba por perder o seu ponto focal e por não rejeitar nada. Fica sem objeto."
Bassets passa em revista as reivindicações dos manifestantes:
"Mudar a lei eleitoral, organizar primárias nos partidos, expulsar da política os políticos corruptos […], mais impostos para os ricos e mais serviços sociais para os pobres" – e escreve que "todas elas mais do que louváveis" mas que nada têm a ver com "expulsar o ditador". "O que fazer então? Quem elabora e decide todas essas reformas? Quais os tónicos concretos e eficazes para uma democracia com sintomas de anemia?"
Apesar de afirmar que não tem um ponto focal, Bassets admite que esta revolução "tem sentido":
"O protesto […] é um sintoma e, ao mesmo tempo um estímulo. […] Os organizadores, partidários do debate democrático e do combate por meios pacíficos, exercem os seus direitos de manifestação e de expressão. Querem aperfeiçoar o sistema, apesar de aparentarem atacar o sistema. Fazem política em estado puro, apesar de isso ser rotulado de antipolítica. Os seus protagonistas querem rentabilizar o mal-estar e o descontentamento. E podem estar satisfeitos, porque o conseguiram. […] Mas as respostas às numerosas questões que colocam devem ser dadas antes e depois das eleições pelos dirigentes e pelos partidos políticos. […] É verdade que devemos elegê-los com mais discernimento e submetê-los a um maior controlo e escrutínio, em vez de os deixarmos soltos. Mas são eles que podem mudar as coisas de que não gostamos. […] Para poderem fazê-lo, é preciso votar neles."
Um setor público tentacular, sindicatos todo-poderosos, uma política de clientelas. Na Grécia, os empresários têm uma lista de queixas interminável. Mas, depois de terem deslocalizado, negligenciado a investigação e praticado a evasão fiscal, estariam entre os primeiros a sofrer com uma saída do euro.
Apesar de se considerar como um povo ligado à Internet, as estatísticas mostram que apenas um terço da população da Estónia tem uma conta nesta conhecidíssima rede social. Porque a vida privada deve ser isso mesmo, pensam os restantes.
Alexis Tsipras, vencedor das eleições de 6 de maio e líder da coligação de esquerda radical Syriza, é a estrela do momento da política grega. A três semanas das legislativas de 17 de junho, o seu programa, que oscila entre o pragmatismo e a luta de classes, preocupa muitas capitais europeias.