The Independent, 11 abril 2011

"Luto e desdém", diz o título do Gazeta Wyborcza, no dia seguinte ao primeiro aniversário do acidente aéreo de Smolensk, que, em 10 de abril de 2010, matou 96 pessoas, entre as quais o Presidente polaco Lech Kaczyński. Jarosław, o irmão gémeo do falecido Presidente e dirigente do Partido Lei e Justiça (PiS), a principal força de oposição, ignorou as cerimónias oficiais a que assistiu o atual Presidente, Bronisław Komorowski, e o primeiro-ministro, Donald Tusk, e reuniu-se com milhares de apoiantes do PiS diante do palácio presidencial. Enquanto Komorowski referia a necessidade de reconciliação nacional, Jarosław Kaczyński repetia que aqueles que presentemente governam o país "não têm o direito de falar em nome da Polónia".

Para o Gazeta Wyborcza, isto é "o começo da campanha eleitoral do PiS", em antecipação das eleições parlamentares do próximo outono. Este diário acusou Kaczyński de desrespeitar "tudo o que é sagrado, para regressar ao poder" e considerou que o seu discurso tinha sido "aquele que, em muitos anos, maior desdém mostrou pelos polacos". Contudo, o diário conservador Rzeczpospolita insiste em que "comunidade não pode ser construída com base numa amnésia imposta a partir do topo" e deve assentar em ações destinadas a "levar-nos mais perto da verdade sobre Smoleńsk". Segundo o sociólogo Grzegorz Makowski, citado pelo Dziennik Gazeta Prawna, as profundas divisões desencadeadas pelo acidente aéreo de Smoleńsk deverão demorar bastante tempo a desaparecer. "É um conflito de mentalidades e ideologias diferentes – uma espécie de cruzada nacional interna… que poderá durar uma década ou duas."