A uns meses da crise grega e perante o risco de descalabro financeiro da Irlanda e de contágio a outros países da zona euro, a União Europeia põe a funcionar progressivamente mecanismos de coordenação e de controlo. Mas o que ganha ao evitar o descalabro da zona euro, a UE perde em democracia e na adesão dos cidadãos, prevê o Wall Street Journal. "O fim político do projeto europeu está prestes a ser atingido, depois de ter sido posto de parte por se tratar de um assunto muito difícil assim que a moeda única foi criada", constata o diário económico norte-americano. Hoje em dia, "existe uma vigilância não apenas dos orçamentos, mas de todas as outras questões relativas à economia dos países da zona euro. Isto ultrapassa bastante o facto de haver uma soberania comum. Se anda como um Governo, se fala como um Governo, provavelmente é um Governo". "Mas o que irá acontecer quando inúmeros eleitores, daquilo a que chamamos Estado-nação, na zona euro, decidirem um dia mudar de Governo?", pergunta o editorialista Iain Martin. "Não falo de uma redistribuição no seio da elite política, ditada pelo mercado das obrigações e pela ortodoxia da moeda única, mas de uma eleição para realmente conseguirem mudar de rumo, para a direita ou para a esquerda, que exija uma política económica independente. Esses eleitores em países como a Irlanda talvez fiquem descansados quando descobrirem que essa possibilidade lhes foi confiscada para sempre pelo BCE e pela UE. E se não reagirem calmamente?" "O ceticismo perante o projeto europeu leva ao nacionalismo e ao extremismo, afirmou Herman Van Rompuy, na semana passada, nota o jornal. É bem possível que a existência de uma nova forma de governo que não assente na democracia deixe os eleitores encolerizados e abra espaço aos extremistas."
Crise irlandesa
E a democracia, onde é que fica?
17 novembro 2010
Presseurop
The Wall Street Journal Europe
Um setor público tentacular, sindicatos todo-poderosos, uma política de clientelas. Na Grécia, os empresários têm uma lista de queixas interminável. Mas, depois de terem deslocalizado, negligenciado a investigação e praticado a evasão fiscal, estariam entre os primeiros a sofrer com uma saída do euro.
Apesar de se considerar como um povo ligado à Internet, as estatísticas mostram que apenas um terço da população da Estónia tem uma conta nesta conhecidíssima rede social. Porque a vida privada deve ser isso mesmo, pensam os restantes.
Alexis Tsipras, vencedor das eleições de 6 de maio e líder da coligação de esquerda radical Syriza, é a estrela do momento da política grega. A três semanas das legislativas de 17 de junho, o seu programa, que oscila entre o pragmatismo e a luta de classes, preocupa muitas capitais europeias.