Menos de 24 horas depois do desconcertante anúncio do Governo, a 4 de novembro, de cortes de seis mil milhões de euros no orçamento, o ministro da Agricultura da Irlanda revelou um esquema financiado pela UE para doar 52 toneladas de queijo cheddar aos pobres, pelo Natal. As declarações do ministro de que o queijo era um "bom produto, nutritivo” não caíram bem numa nação economicamente sitiada, que teme mais cortes e subidas de impostos, já alcunhados pelo Irish Independent como “uma sangria desatada”. “A Irlanda entrou ontem numa zona irreal – atirada para outra dimensão pela tentativa de um Governo propenso a gafes de dar manteiga ao eleitorado”, escreveu um colunista do Irish Times. A história do “Cheesegate” provocou um surto de graçolas no Twitter, enquanto os telefones entupiam os programas radiofónicos de maior audiência na Irlanda. Um dos ouvintes argumentou: "O facto de Maria Antonieta ter dito ‘[não há pão? então] deem-lhes brioches' foi o início da revolução [francesa] – é isso que querem?"
Irlanda
Deixem-nos comer queijo
8 novembro 2010
Presseurop
Irish Independent
Um setor público tentacular, sindicatos todo-poderosos, uma política de clientelas. Na Grécia, os empresários têm uma lista de queixas interminável. Mas, depois de terem deslocalizado, negligenciado a investigação e praticado a evasão fiscal, estariam entre os primeiros a sofrer com uma saída do euro.
Apesar de se considerar como um povo ligado à Internet, as estatísticas mostram que apenas um terço da população da Estónia tem uma conta nesta conhecidíssima rede social. Porque a vida privada deve ser isso mesmo, pensam os restantes.
Alexis Tsipras, vencedor das eleições de 6 de maio e líder da coligação de esquerda radical Syriza, é a estrela do momento da política grega. A três semanas das legislativas de 17 de junho, o seu programa, que oscila entre o pragmatismo e a luta de classes, preocupa muitas capitais europeias.