"Em 19 de Maio, na Praça da Vitória, em Bucareste, além do desespero das pessoas, que foram empurradas para o limite da sobrevivência pela redução dos salários e das pensões de reforma, flutuava no ar outro sentimento – o desprezo." É o que escreve o Gândul, na primeira página. Os manifestantes, vindos de todo o país, alguns deles brandindo o retrato de Nicolae Ceauşescu, acusam o Governo "de não ter cumprido o seu dever, ao ocultar a crise, de não ter tomado as medidas necessárias e de, de repente, ter anunciado medidas restritivas", explica este diário de Bucareste. "Como um médico que deixa uma infecção gangrenar e, depois, afirma que é preciso cortar o pé, ou morremos." As medidas governamentais, qualificadas como de "prioridade absoluta" pelo jornal, são a contrapartida do empréstimo concedido há um ano pelo Fundo Monetário Internacional.
Esta manifestação, a de maior amplitude desde a Revolução de 1989, quase fez esquecer a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da lei da purificação, que proíbe o acesso a determinados cargos da função pública a antigos membros do Partido Comunista.
Um setor público tentacular, sindicatos todo-poderosos, uma política de clientelas. Na Grécia, os empresários têm uma lista de queixas interminável. Mas, depois de terem deslocalizado, negligenciado a investigação e praticado a evasão fiscal, estariam entre os primeiros a sofrer com uma saída do euro.
Apesar de se considerar como um povo ligado à Internet, as estatísticas mostram que apenas um terço da população da Estónia tem uma conta nesta conhecidíssima rede social. Porque a vida privada deve ser isso mesmo, pensam os restantes.
Alexis Tsipras, vencedor das eleições de 6 de maio e líder da coligação de esquerda radical Syriza, é a estrela do momento da política grega. A três semanas das legislativas de 17 de junho, o seu programa, que oscila entre o pragmatismo e a luta de classes, preocupa muitas capitais europeias.