Die Zeit, 19 de Novembro de 2009

É um processo que Franz Kafka não poderia imaginar. Pela primeira vez desde 1945, relata o Die Zeit, instituições culturais alemãs e israelitas estão em conflito por causa do espólio do "mais importante escritor judeu de língua alemã". Motivo: cartas e manuscritos guardados num cofre-forte em Zurique. Kafka oferecera-os ao poeta Max Brod, que, depois de os ter levado para Israel, os cedeu à sua assistente Ester Hoffe. Antes da sua morte, esta quis vendê-los aos Arquivos Literários alemães.

O Estado de Israel reivindica os documentos como bens culturais nacionais e não permite que as duas filhas de Ester Hoffe tenham acesso à sua herança. A Biblioteca Nacional de Jerusalem bibliothèque nationale de Jérusalem exige, perante um tribunal de Telavive, que os manuscritos sejam repatriados da Suíça para Israel e que os Arquivos Literários alemães lhe entreguem o manuscrito de O processo. O Zeit salienta que foi Max Brod quem provocou tudo isto, por não ter "queimado aqueles textos, como Kafka tinha desejado", na altura da morte deste, em 1924.