Maternidade: direito ou dever?
"A UE chega a todo o lado", é a reacção algo agastada do Dagens Nyheter à proposta da Comissão dos Direitos das Mulheres do Parlamento Europeu, que prevê prolongar a licença de maternidade. Esta, que dura agora 14 a 28 semanas, conforme o Estado-membro, teria no mínimo 20 semanas, com o salário integral. Destas 20 semanas, seis seriam obrigatoriamente gozadas logo após o parto, para encorajar o aleitamento materno no maior período possível.
O diário sueco nota a existência de uma relação entre o número de mulheres a trabalhar e o número de filhos por mulher. Em países com uma taxa elevada de emprego das mulheres como, por exemplo, a Suécia, a Dinamarca e a Finlândia, a taxa de fecundidade é igualmente alta. Considera, porém, que "a ideia de uma lei que obrigue as mulheres a tirar seis semanas de licença depois de darem à luz é difícil de compreender. Esta licença não é uma obrigação, e sim um direito. Uma mulher pode ter boas razões para preferir voltar ao trabalho. Essa decisão cabe-lhe a si, não à UE."
Segundo o Dagens Nyheter, o facto de esta legislação ser obra de eurodeputados do Sul da Europa [o relatório da Comissão dos Direitos das Mulheres foi redigida pela parlamentar portuguesa Edite Estrela] indica "que tentam servir-se da UE para forçarem reformas nos seus próprios países". O texto, aprovado numa primeira versão no passado dia 23 de Fevereiro, deverá ser discutido no Parlamento Europeu em Maio.
A reunião do Eurogrupo de 9 de fevereiro não bastou para afastar o espetro da falência grega. Se Atenas é em grande parte responsável pela crise, a UE e os seus parceiros também não estão isentos de responsabilidades. A sua mensagem confusa e falta de estratégia transformaram um problema solúvel num caos explosivo, escreve La Stampa.
Com a crise do desemprego, os jovens lituanos fazem o que outrora fizeram os seus antepassados: emigram. São dezenas de milhares que abandonam o país à procura de uma vida melhor, sobretudo nas Ilhas Britânicas e na Escandinávia, relata o semanário Veidas.
Para evitar o risco de sair da zona euro, Atenas consentiu novas medidas de austeridade, mesmo em cima de uma reunião do Eurogrupo. Uma alternativa que os políticos locais não souberam evitar, lastima To Vima.