Duelo judicial no topo da República
"Histórico", "excepcional": o julgamento do caso Clearstream, que se inicia hoje em Paris, acumula superlativos. É excepcional porque, no banco dos réus, está sentado o antigo primeiro-ministro de Jacques Chirac, Dominique de Villepin, e porque a parte civil é o actual Presidente francês, Nicolas Sarkozy, representado pelo seu advogado. Durante um mês, o Tribunal deverá apreciar se, e até que ponto, Villepin participou numa maquinação destinada a destabilizar Sarkozy, durante a corrida às presidenciais, entre 2004-2005. O antigo primeiro-ministro é suspeito de, para enfraquecer o seu rival da época, ter querido utilizar uma falsa lista de titulares de contas secretas na instituição financeira Clearstream, do Luxemburgo, de que constava o nome de Sarkozy.
"Quem falsificou os documentos daquele organismo financeiro?" – é, segundo o diário Libération, a pergunta a que o processo deverá dar resposta. "A bem da saúde da democracia francesa, é essencial que essa verdade seja revelada (…). Caso contrário, a justiça e a política serão, mais uma vez, atiradas pela opinião pública para o balde mal cheiroso do ‘tudo podre’.
Para evitar o risco de sair da zona euro, Atenas consentiu novas medidas de austeridade, mesmo em cima de uma reunião do Eurogrupo. Uma alternativa que os políticos locais não souberam evitar, lastima To Vima.
Dois campos, duas teses, duas visões da França: dezoito anos após o massacre de 800 mil tutsis, o papel de Paris continua a suscitar uma controvérsia apaixonada, que evolui com as investigações judiciais.
Ao mencionarem, como o fez no início desta semana a comissária Neelie Kroes, a saída da Grécia da zona euro, os líderes europeus parecem querer preparar o terreno para tal eventualidade. E isto enquanto Atenas ainda negoceia com os credores privados a re-estruturação da sua dívida.