O aumentou da fome esgotou 90% do orçamento do Programa Alimentar Mundial (PAM). Bastaria 1% do dinheiro injectado na banca durante os últimos meses para resolver o problema. Deve a alta finança contribuir para solucionar o problema que gerou? Há quem pense que sim. Quinta-feira, o primeiro-ministro português, José Sócrates, propôs em Bruxelas o lançamento de novos impostos sobre a banca.
Estão claros os limites do modelo económico destes últimos 20 anos. Os sistemas de simulação matemática não conseguirem antever a crise dos mercados financeiros. A própria forma como medimos a realidade económica pode estar enviesada. Sarkozy pediu a uma comissão de ex-prémios Nobel da Economia de para substituir o PIB, por um indicador que tome em conta a realidade social.
Uma realidade que, em tempo de vacas magras, se degrada, gerando dramas humanos. 23 suicídios na France Telecom num ano não podem ser desligados das mudanças na gestão da empresa e na sua política de pessoal.
Já os colossos da indústria ficam à beira de um ataque de nervos quando se fala em controlar os bónus dos gestores. A multinacional Nestlé ameaçou, esta semana, tirar a sua sede da Suíça, se o Governo helvético fosse avante com a ideia de limitar os rendimentos dos administradores.
Com 10% de desemprego para o ano na EU, a pressão sobre as leis laborais e os direitos dos trabalhadores vai intensificar-se. Se Obama tenta aplicar nos EUA um modelo de saúde semelhante ao europeu, não chegou a altura de a Europa reinventar o ‘new deal’ ?
R.C.
Um setor público tentacular, sindicatos todo-poderosos, uma política de clientelas. Na Grécia, os empresários têm uma lista de queixas interminável. Mas, depois de terem deslocalizado, negligenciado a investigação e praticado a evasão fiscal, estariam entre os primeiros a sofrer com uma saída do euro.
Apesar de se considerar como um povo ligado à Internet, as estatísticas mostram que apenas um terço da população da Estónia tem uma conta nesta conhecidíssima rede social. Porque a vida privada deve ser isso mesmo, pensam os restantes.
Alexis Tsipras, vencedor das eleições de 6 de maio e líder da coligação de esquerda radical Syriza, é a estrela do momento da política grega. A três semanas das legislativas de 17 de junho, o seu programa, que oscila entre o pragmatismo e a luta de classes, preocupa muitas capitais europeias.