Dissipada a nuvem de cinzas do vulcão islandês Eyjafjöll, regressou em força o vento de pânico que assolou a Europa desde que o espectro da falência da Grécia paira sobre a moeda única. E espalhou-se o temor de um efeito de dominó que se arraste aos países mais vulneráveis da Zona Euro – a começar por Portugal e Espanha –, seguindo os caprichos das oscilações das notas das suas dívidas soberanas.
Essas notas, que supostamente deviam avaliar a capacidade dos Estados para reembolsar as suas dívidas, são atribuídas por três grandes agências (Standard & Poor's, Moody's e Fitch), que partilham o mercado em situação de oligopólio. As mesmas agências que não foram capazes de antecipar a crise dos “subprimes” nos Estados Unidos, com as consequências que se conhecem, e que levaram imenso tempo a perceber o que se preparava em Atenas – onde se desenrolava uma cosmética nas contas públicas, para permanecer dentro dos parâmetros da moeda única.
Hoje, põem à prova os nervos dos europeus: basta que baixem a nota de um dos "PIGS" (países não cumpridores, em inglês), para que se desenhe um cenário de fim do euro. Ao mesmo tempo, os europeus familiarizam-se com as séries de letras que, na linguagem da finança, qualificam o risco que o seu país representa para os investidores: AAA, AAB, BBB, BB+ e por aí fora.
Outra série de letras tem estado em alta por estes dias: BHV, de Bruxelas-Hal-Vilvorde, distrito bilingue da Bélgica. A sua separação constitui a pedra de toque das tensões entre flamengos e francófonos belgas, e a ausência de acordo entre eles provocou a enésima queda do Governo de Yves Leterme. O mesmo que deverá assumir, dentro de dois meses, a presidência rotativa da União. Gian Paolo Accardo
Um setor público tentacular, sindicatos todo-poderosos, uma política de clientelas. Na Grécia, os empresários têm uma lista de queixas interminável. Mas, depois de terem deslocalizado, negligenciado a investigação e praticado a evasão fiscal, estariam entre os primeiros a sofrer com uma saída do euro.
Apesar de se considerar como um povo ligado à Internet, as estatísticas mostram que apenas um terço da população da Estónia tem uma conta nesta conhecidíssima rede social. Porque a vida privada deve ser isso mesmo, pensam os restantes.
Alexis Tsipras, vencedor das eleições de 6 de maio e líder da coligação de esquerda radical Syriza, é a estrela do momento da política grega. A três semanas das legislativas de 17 de junho, o seu programa, que oscila entre o pragmatismo e a luta de classes, preocupa muitas capitais europeias.