Controlar os mercados
Na Europa, a hora é de rigor. No dia 8 de Março, o primeiro-ministro português, José Sócrates, apresentou um "programa de estabilidade e crescimento" que se traduz, sobretudo, numa redução drástica das despesas públicas. No dia 10, a Grécia foi paralisada por uma greve geral de protesto contra o plano de restrições elaborado pelo Governo de Georges Papandreu, por pressão dos seus parceiros e dos mercados financeiros. Países como a Irlanda, a Espanha ou a Hungria estão sujeitas à mesma disciplina, enquanto o Reino Unido e a França continuam à mercê do mesmo tipo de crise orçamental.
Membros da Zona Euro ou de fora dela, de tradição social ou liberal, “não morreriam todos, mas todos seriam atingidos”, como escrevia o fabulista francês Jean de Lafontaine. E todos têm de redefinir o modelo social europeu, um modelo que procura um equilíbrio entre as exigências de competitividade e a justiça social. Um equilíbrio tanto mais necessário quanto as populações não aceitarão medidas de rigor sem contrapartidas.
Não é, pois, por acaso que a Europa se lança numa perseguição aos especuladores. Numa carta comum, Nicolas Sarkozy, Angela Merkel, Jean-Claude Junker (presidente do Eurogrupo) e Georges Papandreu pedem à Comissão Europeia para abrir um inquérito sobre o impacto da especulação. Ao mesmo tempo, o Parlamento Europeu e os Estados-membros discutem modalidades para enquadrar mais estritamente a acção dos “hedge funds” (fundos especulativos, sem controlo estatal) na Europa.
Controlar os mercados sem pôr em perigo a capacidade dos Estados de financiar a recuperação económica, é a isso que o Süddeutsche Zeitung chama “a estreita passagem entre o Bem e o Mal”. Mas é igualmente estreita a passagem entre a necessária recuperação das economias e a tomada em consideração das crescentes dificuldades de grande parte da população europeia. Quando a actividade dos fundos especulativos desestabiliza os Estados e os seus excessos alimentam um ressentimento que aproveita aos partidos extremistas, é legítimo que os governos se associem para defender o equilíbrio das suas sociedades.
Eric Maurice
Desde que o país foi submetido ao tratamento de austeridade do triunvirato FMI-UE-BCE, os portugueses mudaram os seus hábitos de consumo. A crise obriga-os a poupar, mas também a ser mais criativos.
Com o Tratado de Maastricht, assinado a 7 de fevereiro de 1992, a Comissão Europeia e os funcionários europeus passaram a ter poderes inéditos. Duas décadas depois, o primado da economia sobre a política acabou com o sonho que tinham e a crise transformou-os em testas-de-ferro.
Tornou-se quase sistemático: em todas as controvérsias sobre a maneira como Berlim tenta impor os seus pontos de vista na resolução da crise da dívida, os alemães são remetidos para o seu passado nazi. Como reagir? Die Zeit propõe algumas respostas aos seus leitores.