Dossiês

Uma política de plenos poderes

As bases de uma "revolução nacional"

A Europa é desconfortável

Editorial

O que se passa em Budapeste? Desde o seu regresso ao poder em 2010, o primeiro-ministro Viktor Orbán, que fora chefe de um governo liberal e moderado nos anos 1990, parece ter-se transformado num aprendiz autocrata. Contando com o apoio de uma maioria dos dois terços no parlamento e do partido de extrema-direita Jobbik, este revela-se hoje mais preocupado em defender a hegemonia do seu partido, o Fidesz, do que as conquistas democráticas do pós-comunismo; parece mais inspirado pela nostalgia de uma grande Hungria nacionalista do que pelos valores da União Europeia, à qual o seu país aderiu em 2004. Com um maior controlo dos poderes legislativos, judiciários e económicos, a implementação de reformas nos meios de comunicação social e um discurso nacionalista, Viktor Orbán inquieta, e alguns reclamam sanções ou mesmo a sua exclusão da UE. Ao reunir estes artigos traduzidos da imprensa húngara, como também de outros países europeus, este dossiê expõe o percurso desta “revolução nacional”, esclarece as bases ideológicas que a define e explora eventuais reações para que se compreenda melhor os mecanismos de uma crise política que poderá incomodar a Europa durante muitos anos.