Numa altura em que os governos europeus preparam os orçamentos de Estado para 2012 e em que é pedida mais austeridade à classe média para equilibrar as contas públicas, eis que os “super-ricos” viram beneméritos e decidem pagar a crise do seu bolso.
O norte-americano Warren Buffett abriu as hostilidades ao sugerir que que os impostos sobre os rendimentos e sobre os investimentos deviam ser aumentados para quem tiver mais de um milhão de dólares de rendimento coletável. E, de repente, os “super-ricos” europeus sugeriram o mesmo. Primeiros os franceses, depois os italianos e até os alemães. A notícia correu o mundo e depressa chegou ao nosso país. Questionado pelos jornalistas sobre as intenções dos seus congéneres europeus, Américo Amorim (o “super-rico” de Portugal) limitou-se a responder que não era rico, mas sim trabalhador. A polémica instalou-se. Nas televisões, jornais e rádios multiplicaram-se os comentários às declarações de Amorim. Então, os milionários europeus tomam a iniciativa de ajudar a pagar a crise e os nossos renunciam à condição de “super-ricos”?
Entretanto, ao contrário de outros governos, o senhor primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, já anunciou que em Portugal, pelo menos para já, não haverá lugar a nenhum imposto extraordinário sobre as grandes fortunas. Afinal de contas, é do interesse nacional atrair os grandes capitais e não repeli-los. Haja bom senso!
Esta polémica trouxe-me à memória um professor dos meus tempos de liceu. Segundo ele, a grande diferença entre um pequeno empresário e um empresário de sucesso estava na forma como estes investiam o seu capital. Enquanto o empresário de sucesso recapitaliza os seus ativos em novos negócios, o pequeno empresário compra um Mercedes para si e um Vison para a madame. Uma história que ilustrava perfeitamente, na altura, o conceito de capitalismo. Mas o que têm o Mercedes e o Vison que ver com o Américo Amorim e com as grandes fortunas europeias? Tudo!
A melhor contribuição dos “super-ricos” para o bem comum reside em continuar a investir na criação de emprego, na produção de riqueza. Não é através da cobrança de mais impostos sobre os ricos que os pobres ficam menos pobres. Aliás, o nível de riqueza da Europa não foi produto da redistribuição da riqueza dos ricos para os pobres através dos impostos. Foi produto da criação de riqueza num ambiente de liberdade económica. Portanto, o que devemos exigir aos “super-ricos” não é mais impostos, mas TRABALHO.
Autor: Eduardo Gomes Madeira