Feed Blogue

Quando irá o céu desabar sobre as nossas cabeças?

Presseurop
19 abril 2012

Os últimos dias na Península Ibérica parecem tão negros como o céu carregado de nuvens cinzentas em plena primavera. Enquanto o cerco a Espanha começa a apertar-se, obrigando o próprio primeiro-ministro Mariano Rajoy a vir a público negar rumores de um possível resgate, o já de si fragilizado mercado português – um quarto das exportações portuguesas tem como destino o país vizinho – vai-se preparando para o pior. E quando, há escassas semanas, as notícias davam eco de uma troika satisfeita com o desempenho luso para conseguir uma saída airosa da crise – à custa, é um facto, de mais e mais austeridade sobre o massacrado povo português -, o último relatório do Fundo Monetário Internacional, de 17 de abril, parece apontar em sentido contrário e deixa no ar um aviso alarmante: vem aí uma nova crise. Entre os vários alertas à navegação deixados aos líderes europeus, destaca-se claramente uma chamada de atenção para a "austeridade em demasia". No entanto, como bem sabemos, as medidas de austeridade constam das condições impostas pela troika (FMI/BCE/UE) para o empréstimo de 78 mil milhões de euros ao nosso país. Perante esta evidência, apraz-me dizer que de demagogia estamos todos fartos. Parece-me este um daqueles alertas como o do adulto que dá uma caixa de fósforos a uma criança e depois lhe diz "cuidado que podes queimar-te!"... Um artigo do NRC Handelsblad dá conta de que o Fundo Monetário Internacional, salvador dos países pobres da UE (que graças a tantas ajudas se arriscam a ficar ainda mais pobrezinhos), é menos conciliador sob a liderança da francesa Christine Lagarde. O artigo termina com uma referência ao presente oferecido por Lagarde a Merkel, num encontro entre ambas em Berlim: uma vela perfumada com flor de laranja, simbolizando a esperança. Talvez fosse melhor se tivessem tomado um cházinho de camomila: esse sim tem um efeito calmante, e, quem sabe, levaria as duas damas de ferro a abrandarem a marcha, quando se trata de mandar na vida de todos nós. Entretanto, e como se não bastassem as más notícias, o correspondente em Bruxelas do Financial Times, Peter Spiegel, escreve a 19 de abril, no blogue daquele jornal: "Quando irá Portugal precisar de um segundo resgate?". Ou seja, por mais que o primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho se esforce por dar sinais aos mercados de que Portugal não precisará de um novo resgate financeiro, outros ultrapassaram já o campo das hipóteses: não se trata de saber "se", mas "quando" irá acontecer.