Feed Blogue

Tecnologia

O estranho mundo de Jobs

11 outubro 2011

Com Bill Gates, Stephen Wozniak e outros, Steve Jobs fica para a História como um dos homens que mais mudou o mundo na viragem do milénio. Das suas mãos saíram os primeiros Apple, computadores pessoais muito mais versáteis e fáceis de usar que os outros. Depois veio o iPod, para a música, o iPhone para as comunicações móveis e por fim o iPad. Todos abriram novas dimensões no quotidiano, para não dizer que ajudaram a criar um universo virtual onde passámos, também, a ter existência e vida paralelas. 

Mas, como escrevia recentemente Mike Daisey, Jobs notabilizou-se, ainda mais, pelos produtos que não criou. Se lhe parecia que um novo dispositivo, por muito avançado tecnologicamente que fosse, não tinha mercado, não hesitava em matá-lo à nascença. Deixou a Apple na liderança do mercado quando se afastou pela primeira vez e voltou para a salvar da ruína em 1997, com o sucesso que se sabe.

A grande ironia é que os pioneiros de Sillicon Valley eram idealistas e sonhavam com um mundo melhor. Os primeiros Apple funcionavam praticamente como um sistema aberto, no qual o Windows de Gates se viria a inspirar. A ideia dos jovens génios em ascensão era levar o conhecimento e a capacidade de comunicar a todos, fossem velhos ou novos, ricos ou pobres.

Um ideal fraterno que não retrata a forma como a companhia evoluiu. Os smartphones, computadores e similares passaram a ser fabricados na China, em condições laborais (para não dizer de direitos humanos) pavorosas. E, em vez de sistemas abertos e partilhados, vigora uma ditadura da Apple sobre os utilizadores, taxando todas as aplicações e vigiando todos os seus passos.

A grande ironia, como escreveu Daisey é que hoje em dia não existe nenhuma empresa de tecnologia que se pareça mais com a sociedade concentracionária e totalitária do “Big Brother” imaginado por George Orwell do que a Apple.