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Perfil do Embaixador da França em Portugal

"O francês tem de despertar curiosidade"

22 julho 2009

 Denis Delbourg cursou Filosofia na Universidade, frequentou a ENA (École Nationale d’Administration) – instituição criada depois da II Guerra Mundial para formar quadros para a administração pública francesa – e, depois disso, concorreu ao Ministério dos Negócios Estrangeiros porque queria “descobrir o mundo”. Gosta de ser diplomata, mas tem a lucidez suficiente para olhar para trás e constatar: “Quando se é jovem sonham-se muitas vidas... e eu até poderia ter gostado de ficar na Universidade. A filosofia é apaixonante.”

Prestes a completar 57 anos, Denis Delbourg, embaixador de França em Portugal, conversou com o EXPRESSO ( http://aeiou.expresso.pt/) no dia em que o seu país comemorou um dos feitos mais importantes da sua História – a tomada da Bastilha, a 14 de Julho de 1789. Ciente de que França teve uma influência determinante no pensamento da Europa e do mundo nos séculos XVIII e XIX, e uma acção fundamental para a estabilização política da Europa no século XX, Delbourg afirma que um dos grandes desafios da língua francesa – que perdeu o seu lugar de grande língua de comunicação para o inglês – é o de encontrar um “espaço nos novos meios de comunicação. Para se aceder a conteúdos é preciso passar pela linguagem, mas para querer aprender uma língua” é necessário que o país que a tem como língua materna “seja capaz de despertar interesse e curiosidade”.

Antes de vir para Lisboa, foi adido cultural em Nova Iorque, cônsul-geral no Rio de Janeiro e embaixador na Suécia. Diz que “Nova Iorque é um carrefour artístico fantástico. As elites culturais americanas têm um enorme conhecimento sobre a cultura francesa, que está presente nas Universidades – onde tanto a literatura francesa como a francófona são estudadas – no meio artístico e nos museus”. No quotidiano, a realidade é diferente, mas, apesar disso, “o cinema francês tem o seu lugar na América”.

No Brasil, aprendeu português e apreciou “o orgulho que os brasileiros têm na mistura das suas múltiplas heranças. Estive lá na época do Presidente Fernando Henrique Cardoso e foi muito interessante, porque o país estava a modernizar-se economicamente”.

Quando terminou as suas funções de embaixador em Estocolmo, Delbourg queria continuar na Europa. Portugal – de quem a França é o terceiro maior parceiro comercial – surgiu como um desafio interessante. “Já cá tinha estado no princípio dos anos 90, quando estava colocado no Ministério da Cultura. Vim assistir a parte das filmagens do ‘Soulier de Satin’ de Manoel de Oliveira”.

O embaixador constatou que  "Portugal é um dos poucos países onde um francês pode fazer uma conferência ou palestra para uma plateia de 500 pessoas, sem ser necessário recorrer à tradução". A França é o terceiro maior parceiro económico de Portugal com um volume de exportações de 5,15 mil milhões de euros. A Alliance Française abriu a sua primeira escola em Lisboa em 1945 e neste momento tem 12 centros de ensino no país; para além destas escolas, existe um Instituto Franco-Português, em Lisboa.

Manuela Goucha Soares