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PERFIL DO EMBAIXADOR DA SUÉCIA EM PORTUGAL

"Foi emocionante assistir à reunificação da Alemanha"

3 julho 2009

Bengt Lundborg nasceu na ”Veneza do Norte” – nome pelo qual (também) é conhecida a cidade de Estocolmo – a 27 de Dezembro de 1945. Filho de um diplomata de carreira, começou a viver por conta própria aos dez anos de idade, altura em que teve de deixar a companhia dos pais, que se encontravam em missão no estrangeiro, e regressou à Suécia para estudar num colégio interno. “Foi uma boa experiência, apesar de o primeiro embate não ser fácil para uma criança”, conta. “Mais tarde, na época em que já era eu a trabalhar como diplomata, os meus filhos não tiveram este problema porque já havia escolas internacionais em muitos países, coisa que não acontecia em meados dos anos 1950”.

A vida profissional de Bengt tem-lhe proporcionado diversas oportunidades para reflectir sobre a evolução da geografia política: foi embaixador do seu país na Hungria entre 2003 e 2007, quase meio século depois de o pai ter ocupado esse posto, num tempo em que o mundo era um local muito diferente. Bengt, que se define como “um europeísta convicto”, teve o privilégio de estar colocado na Alemanha quando caiu o Muro de Berlim: “Foi fascinante assistir à reunificação das duas Alemanhas. Um processo muito emocionante, e foi também muito interessante” ver como a antiga Alemanha de Leste se foi integrando e adaptando às estruturas ocidentais, e a transformação que esta emblemática mudança política do final do século XX, permitiu operar na costa do Báltico. “No fundo, parte da costa era ocupada pela RDA, Polónia e pela Letónia, Estónia e Lituânia”. Vinte anos depois, “estes países são membros da UE”, o que permitiu grandes avanços em matéria de “ordenamento e protecção do ambiente”, tema muito caro à segunda presidência sueca da União Europeia, que começou na passada quarta-feira. “Os países do Báltico precisavam de ajuda para melhorar o ambiente e isso está a ser feito. Esta intervenção da UE nos ex-países comunistas é um dos seus maiores sucessos. Estocolmo vai ser a capital verde da Europa em 2010”.

Bengt acredita na receptividade do seu país para com o euro. “Neste momento temos 43% a favor do euro, e 42 contra... um grande avanço, já que há poucos anos havia 68% contra”. Velejador na juventude, diz que a Suécia está a viver um novo baby-boom. “É normal os homens gozarem longas licenças de paternidade. Os meus dois filhos (homens) estiveram cada um deles quase seis meses em casa por causa do nascimento dos meus netos”.

Manuela Goucha Soares