David Cronin escreve no The Guardian que a permanência de Durão Barroso para um novo mandato como Presidente da Comissão Europeia é "uma vergonha". De acordo com este jornalista irlandês, a questão do emprego é a grande preocupação actual de boa parte dos eurocratas de Bruxelas. Pelo menos, daqueles que têm os cargos mais bem remunerados:"No decorrer das próximas semanas, o verdadeiro tema de conversa nos círculos políticos de Bruxelas deverá ser apenas um: empregos. Esta tagarelice pouco terá a ver com a triste litania dos despedimentos que se encontra facilmente nos boletins noticiosos do mundo exterior. Girará, antes, em torno de quais os cargos que os membros de um grupo arrogante de homens (e uma ou duas mulheres), amorfos e que auferem salários excessivos, conseguirão conquistar".
A verdade, é que Barroso, o pragmático José Manuel Barroso, tem sido fortemente criticado por alguma imprensa europeia. No dia 8 de Junho, o 'day after' das eleições europeias, o Le Monde - no seu editorial – acusava Barroso de falta de "carisma político", e de total inoperância perante a crise económica que se abateu sobre a economia mundial e europeia: "Não é o Parlamento que está em falta, é Barroso, desprovido de carisma político e de qualquer imaginação económica", escreveu o Le Monde.
Tudo indica que Barroso se aguentará à frente da Comissão. Mesmo quando a opinião de alguns dos mais reputados jornais europeus está decididamente contra ele.
M.G.S.