Feed Blogue

FUNDAÇÃO LUSO-AMERICANA PARA O DESENVOLVIMENTO

Rui Machete deixa a FLAD ao fim de 22 anos

4 maio 2010

Ocupou vários cargos de primeira linha na sociedade portuguesa – como os de vice-primeiro ministro do Bloco Central, ministro da Defesa, da Justiça, secretário-geral adjunto do PPD, advogado com nome na praça – , mas dedicou os últimos 22 anos da sua vida à construção da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).

Ao longo deste caminho, procurou equilíbrios para combater “interferências nacionais e estrangeiras” na Fundação. É que, explica, “para garantir essa autonomia, precisava eu mesmo de ser autónomo. Foi por esta razão que fiz um esforço duplo e continuei a fazer advocacia e a dar aulas” na faculdade.

Na semana em que deixa de estar à frente da FLAD – o homem que foi o primeiro presidente português desta instituição, ocupando o cargo desde Julho de 1988 – , diz que “as necessidades da vida obrigaram a FLAD a inventar-se a si própria, sem nunca fugir ao objectivo do desenvolvimento económico e cultural do país”.

“No primeiro mandato tomei uma decisão importante: optar para que a Fundação fosse tendencialmente perpétua”, em vez  de durar sete anos como chegou a ser pensado. “Isso implicou que a gestão do património deixasse de ser feita em função da atribuição de subsídios e que a Fundação se transformasse num think-thank”. A FLAD colaborou com a SEDES e com o IPRI – Instituto Português de Relações Internacionais, “que tem sido um dos nossos braços-armados nas relações internacionais”.

No momento em que sai, Machete lamenta o facto de “não ter conseguido alterar os estatutos, por forma a assegurar uma certa autonomia que não está juridicamente garantida”. Em compensação, regojiza-se por acreditar que fez “uma interpretação correcta” dos objectivos. “Se não fizesse uma interpretação correcta só gastaria dinheiro em Portugal”, refere.

Existe um trabalho lento, mas importante, como a promoção da língua portuguesa nos EUA, os projectos desenvolvidos para levar os imigrantes nos EUA a adquirirem a nacionalidade americana, a integrarem-se e votarem. “Outro aspecto é a integração da nossa política de cooperação com África na actividade da Fundação, de modo a acentuar o seu carácter nacional”, salienta. Para a semana, Machete regressa à PLMJ advogados e à docência universitária – que diz ser a sua “vocação prioritária”.

TEXTO de Manuela Goucha Soares – EXPRESSO, edição de 1 de Maio de 2010