José Ignacio Torreblanca
Especialista em assuntos europeus, José Ignacio Torreblanca, é professor de CIências Políticas na UNED (Universidade Nacional de Ensino à Distância – Espanha). Anima o blogue de deabate e análise sobre a Europa e é colaborador do El Pais. Dirige o gabinete espanhol do Conselho Europeu de Relações Estrangeiras.
Atualizado: 29 junho 2009
Disciplina e cortes orçamentais: o remédio prescrito para a zona euro desde o início da crise já não reúne a unanimidade, inclusive entre aqueles que o aplicam. Infelizmente, os eleitores não podem decidir este debate entre os responsáveis não eleitos, o primeiro dos quais é o comissário europeu para os Assuntos Orçamentais.
Os últimos números do Eurobarómetro mostram claramente o que, uns após os outros, os resultados eleitorais têm sugerido: atingidos pela crise, deixaram de ter confiança na UE. Depois de se ter salvo o euro, é preciso salvar a legitimidade da UE e, se possível, antes das eleições de 2014.
2012 anunciava-se extremamente perigoso para a zona euro e toda a UE. O pior não chegou, nomeadamente porque Angela Merkel fez concessões que permitiram a Mario Draghi, presidente do BCE, intervir. Em 2013, os europeus deverão continuar atentos.
A atribuição do Nobel da Paz à UE deixou muitas pessoas perplexas. No entanto, realça o politólogo José Ignacio Torreblanca, uma viagem pelos vestígios da longa “guerra civil europeia” iniciada no século XX deverá ser suficiente para a justificar.
As dificuldades económicas enfrentadas pela Grécia, Espanha e Itália, assim como a complexidade da Alemanha na tomada de decisões, estiveram durante muito tempo no centro das atenções. Mas existe um país que continua a ser crucial para o futuro da Europa, onde o debate sobre a Europa poderá ser retomado: a França de François Hollande.
A crise económica, juntamente com a do sistema bancário, mergulharam a Espanha numa situação de urgência. Mas os seus problemas, tais como os da Europa, têm a mesma origem: o domínio dos interesses nacionais e dos particularismos. A solução? Novas instituições criadas através do voluntarismo político.
A saída da Grécia da zona euro é mais uma vez referida por causa da crise política em Atenas. Mas esse cenário é ainda mais perigoso hoje, numa altura em que Espanha está mais vulnerável. E as consequências seriam geopolíticas, para além de económicas.
Apesar das consequências sociais e políticas, o Bundesbank e o Governo de Angela Merkel continuam a defender a aplicação do rigor que vem sendo aplicado na Europa há dois anos. É hora de travar os danos, insurge-se o politólogo espanhol José Ignacio Torreblanca.
Os americanos acreditam no Deus da guerra, os europeus inspiram-se na Deusa do amor, afirmava o americano Robert Kagan em 2002. Mas após o Iraque, o Afeganistão e a crise europeia, esta tese controversa revela uma reviravolta surpreendente das perspetivas.
Após o terrível ano de 2011, piorar ainda é possível, previne o politólogo José Ignacio Torreblanca. A crise poderá forçar os Vinte e Sete a escolher entre a Grécia e o Reino Unido. E, uma vez mais, será em Berlim que tudo se decidirá.
O Partido Popular (de direita), de Mariano Rajoy, está indicado como o vencedor das eleições gerais espanholas, a 20 de novembro, e irá aplicar mais medidas de austeridade. Mas, enquanto a Alemanha não assumir as suas responsabilidades a nível europeu, o novo Governo será incapaz de resolver a crise do país.
Após as manifestações na Grécia e o movimento dos indignados espanhóis, a contestação popular alargou-se a toda a Europa e atravessou o Atlântico com o Occupy Wall Street. Direta ou representativa, é a própria conceção de democracia que é colocada em causa, estima José Ignacio Torreblanca.
Contrariamente à União Europeia, em pleno marasmo económico e político, a Turquia mostra ser um país seguro de si, em pleno esplendor económico, que vai às urnas a 12 de junho. Uma potência emergente que se revela um modelo para as recém-democracias do Médio Oriente, contrariamente à UE, que se mostra incapaz de a manter no seu seio.
Num momento em que a crise líbia se desenrola às portas da Europa, a Alta Representante da UE para a política externa está totalmente ausente de cena. É caso para perguntar se o seu cargo ainda faz algum sentido, escreve o analista José Ignacio Torreblanca.
Em situações importantes todas as grandes potências têm uma doutrina diplomática clara, que aplicam segundo os seus interesses. Perante as revoluções árabes, vai sendo tempo de a Europa encontrar a sua, afirma o editorialista José Ignacio Torreblanca.
Perante a repressão na Tunísia, a UE deveria aplicar a mesma política de "sanções inteligentes" que, em 2006, fez vergar parcialmente o regime bielorrusso de Alexander Lukachenko, considera o analista José Ignacio Torreblanca.
Os seis meses passados à frente da União Europeia terão sido uma dura prova para o Governo espanhol. A crise económica, o início da entrada em vigor do Tratado de Lisboa e a falta de visão estratégica da UE dificultaram a sua ação. Uma situação que revela a fragilidade do sistema de presidência rotativa.
O projecto de organizar um Serviço Europeu de Acção Externa, recentemente apresentado por Catherine Ashton, será suficiente para promover a União Europeia à tão aspirada categoria de potência internacional? Nada é menos seguro, dado o estado actual da administração, a relutância dos Estados-membros em ceder-lhe prerrogativas e a batalha institucional pelos poderes.
Todas as presidências europeias, apesar da cuidadosa planificação, acabam sempre por ter de enfrentar uma crise inesperada que as obriga a alterarem a ordem de prioridades e lhes põe à prova a sua real capacidade de resposta. O Haiti vai ser o primeiro teste, à capacidade de funcionar coordenadamente, das novas instituições de política externa da EU.
Na conferência de Copenhaga, a soberania dos Estados foi o principal obstáculo para um acordo sobre o clima. A solução, assegura o politólogo José Ignacio Torreblanca, é seguir o exemplo da UE em dois domínios: tecnologias e instituições.
Reeleito graças a hábeis manobras, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, terá de demonstrar que é capaz de ter visão, ao serviço da União. Coesão interna, alargamento e política de vizinhança deverão ser os eixos da sua acção, considera o politólogo José Ignacio Torreblanca.
Desde o início da crise, que os governos nacionais insistem em ignorar as recomendações de Bruxelas em matéria económica. Mas é bom que se lembrem que foram a UE e a moeda única quem salvaram alguns países da falência. Para o El País, a Europa só ganharia se os governos passassem a agir de forma menos unilateral.