Xavier Vidal-Folch
Xavier Vidal-Folch escreve sobre economia espanhola e internacional no El País. Director adjunto deste jornal desde 1989 e responsável pela área do Internacional, também dirigiu a edição catalã do jornal até 2009. Em Dezembro de 2008, foi eleito presidente do World Editors Forum.
As medidas aprovadas na cimeira de 30 de janeiro – o tratado de estabilidade e o plano de crescimento económico – servem, na melhor das hipóteses, para reparar os erros cometidos no passado ano e meio. No pior dos cenários, não passam de mentiras, diz o colunista Xavier Vidal-Folch.
Acusado, umas vezes, por timidez excessiva, e outras por intervir substituindo-se aos Estados, o governador do Banco Central Europeu conseguiu, até hoje, segurar o euro evitando que a crise o vença.
A alguns dias de uma cimeira que se anuncia decisiva para o futuro do euro e dos países mais endividados, Angela Merkel pressiona os parceiros para que aceitem o Pacto de Concorrência, por ela engendrado com Nicolas Sarkozy.
Em Bruxelas, a 28 e 29 de outubro, a França e a Alemanha vão tentar convencer os seus parceiros a alterarem os textos fundamentais da UE para que o rigor orçamental seja respeitado. Ideia simples e inútil, afirma um editorialista espanhol.
Nestes tempos de crise económica, os países da outra margem do Mediterrâneo dão mostras de dinamismo. Uma evolução que a UE está a começar a acompanhar através de projectos de cooperação regional, congratula-se o El País.
A ideia de criar um Fundo Monetário Europeu para auxiliar os países que, como a Grécia, estão a braços com um nível de endividamento que ameaça a estabilidade do euro, começa a fazer o seu caminho. Os seus opositores, nomeadamente a Alemanha, deveriam recordar que a Europa soube ser solidária com eles no momento da reunificação.
Com a crise, 17% da população activa espanhola não tem emprego. O El Pais sugere que o governo de Madrid poderia copiar o modelo alemão para minimizar este problema.