Jean Quatremer
Nascido em 1957, Jean Quatremer cobre, há 20 anos, a União Europeia para o diário francês Libération, onde trabalha desde 1984. Este jurista de formação recebeu vários prémios de imprensa, nomeadamente o prémio Louise Weiss do jornalismo europeu, em 2006, pelo seu blogue Coulisses de Bruxelles [Bastidores de Bruxelas].
Atualizado: 2 julho 2010
Ninguém se lembra que foi o executivo europeu a preparar o orçamento que os dirigentes da UE estão atualmente a negociar. Por uma simples razão: o seu presidente, José Manuel Durão Barroso, é invisível. Um "suicídio" político, denunciado pelo correspondente do Libération em Bruxelas.
A visita de Angela Merkel a Atenas, a 9 de outubro, deu lugar a manifestações durante as quais a chanceler foi caricaturada como Hitler. Excessos que quase raiam a estupidez e que impedem os gregos de enfrentarem as suas responsabilidades, reage um jornalista francês.
A maioria dos gregos considera que a zona euro e o FMI lhes exigem demasiado. E, provavelmente, voltará a dar a maioria aos partidos que se opõem ao plano de austeridade assinado pelo Governo em 17 de junho. Mas não vão poder evitar as reformas há muito tempo adiadas, se não quiserem voltar a afundar-se.
A dívida grega estaria doravante fora de controlo. A constatação vem de Atenas e foi comunicada por uma comissão parlamentar. Asfixiado por uma recessão mais forte do que previsto e minado pela economia subterrânea, o país parece incapaz de cumprir os prazos instaurados.
A Moody’s, a Standard & Poor’s e a Fitch, que não previram as crises anteriores, são agora suspeitas de querer destabilizar a zona euro, o que representa uma ameaça mesmo para os países mais sólidos.
Há várias semanas que têm vindo a ser difundidas informações erradas sobre a economia grega, destinadas a destabilizar Atenas. A última lavagem ao cérebro foi a publicação, na sexta-feira, dia 6, pela Spiegel online, de um artigo sobre uma reunião secreta dos ministros das Finanças para analisar o possível abandono da zona euro pela Grécia. Quem beneficia com o crime, interroga-se o Libération?
Desgastados pelos consecutivos planos de austeridade, os gregos, desamparados, já não acreditam no seu Governo. E, enquanto o populismo ganha voz, a “eurofilia” entra em queda livre, relata o enviado especial do Libération, em Atenas.
Perante a chegada de vários milhares de migrantes vindos do Norte de África, a Itália pede a solidariedade dos seus parceiros. Mas, a 11 de abril, os ministros do Interior e da Justiça dos Vinte e Sete, liderados por Paris e Berlim, recordaram a Roma as suas obrigações em matéria de acolhimento e de gestão de imigrantes e, de caminho, que, em matéria de imigração, impera a regra do cada um por si.
A chanceler alemã insiste: depois de ter semeado o pânico na zona euro, no ano passado, consegue agora transformar a catástrofe japonesa de Fukushima numa crise mundial da energia nuclear, ironiza Jean Quatremer.
A 16 de fevereiro, Catherine Ashton anunciou uma ajuda de 258 milhões de euros até 2013 à Tunísia. Para o Libération, foi preciso esperar pela chegada dos "embarcados" tunisinos à costa de Lampedusa para que a UE aceite finalmente dar um apoio ativo à revolução tunisina.
Ameaçada com um processo pela Comissão Europeia, pouco apoiada pelos seus vizinhos, a França é sobretudo vítima da retórica bélica do seu presidente em relação aos ciganos. Há países, no entanto, que poderão ajudá-la a encontrar uma saída.
A publicação dos testes de resistência dos bancos europeus, em 23 de julho, dá uma visão mais clara das capacidades dos principais estabelecimentos para fazerem face a uma nova crise. Mas, satisfeitos com os planos de rigor postos em prática na maior parte dos países, os mercados financeiros já recomeçaram a investir na UE.
A União Europeia propõe-se regulamentar a finança internacional. Mas na falta de peritos independentes, entrega-se aos conselhos dos bancos que, sem contraditório, tudo fazem para impor os seus interesses. Um entrismo bem montado, como denunciam alguns eurodeputados.