A 9 de agosto, para lá do que está a acontecer no Reino Unido, apenas um tema ocupa as primeiras páginas da imprensa europeia: a queda dos mercados financeiros, apesar da intervenção do Banco Central Europeu.

Perante a inércia dos Estados da zona euro, o BCE avançou sozinho para a frente de batalha, comprando grandes quantidades de dívida italiana e espanhola, para evitar que esses dois países entrem em incumprimento e que arrastem o euro com a sua queda. Mas isto não chegou para convencer os investidores.

"A Itália vai pulverizar o euro?", pergunta Die Presse, que ilustra o assunto com uma fotografia de uma tempestade a ameaçar o Grande Canal de Veneza. O diário de Viena lamenta que o Banco Central Europeu (BCE), classificado como “simpático caniche da política” no seu editorial, tenha renunciado à sua independência, ao comprar grandes quantidades de obrigações do Estado italianas, sublinhando que “não é o único a violar os tratados europeus: os governos da zona euro, que se dizem todos Estados de Direito, mantêm desde há vários anos, uma relação suave com o princípio do respeito pelo contrato. O pacto de estabilidade foi violado? Não importa. Nenhum Estado da zona euro pode assumir a dívida de outro? Não brinquemos com as palavras. Foi precisamente esta abordagem que conduziu a zona euro a esta crise existencial.”

"Não há férias para a crise", titula o Libération, para quem o Banco Central Europeu (BCE) usou, a 8 de agosto, “artilharia pesada”, ao comprar enormes quantidades de títulos de dívida pública dos países em dificuldades. Sem, no entanto, inverter a tendência: “Um desentendimento furioso” entre os países favoráveis a esta medida e aqueles que se lhe opõem – com a Alemanha à cabeça -, explica o jornal de Paris. Daí “a impressão de que o seu presidente, Jean-Claude Trichet, intervém com relutância. Como resultado, os mercados só acreditam nisto em parte e o efeito esperado nas taxas de juro ficou aquém do esperado”.

"Europa salva"lemos na primeira página de Die Tageszeitung sobre uma fotografia de Jean-Claude Trichet, com um ar decidido – “ou não”, desta vez, escrito sobre a imagem de Silvio Berlusconi, visivelmente cansado. Por um lado, o presidente do BCE tenta acalmar os mercados comprando obrigações do Estado italiano, por outro, o chefe do Governo italiano preocupa esses mesmos mercados com as suas “montanhas de dívidas”. No entanto, garante o diário de Berlim, “a crise reforça a Europa”, porque estão dados  os primeiros passos para uma verdadeira união monetária com um verdadeiro banco central. .

De Morgen trata literalmente, a “Tempestade sobre a economia mundial” como um fenómeno meteorológico, publicando na primeira página um mapa que mostra a intensidade das tempestades sobre a Europa e os Estados Unidos, com os números das perdas, da véspera, das Bolsas de Valores, a vermelho, e cores diferentes para cada país, em função da nota atribuída à respetiva dívida. O único aspeto positivo, após esta “segunda-feira negra”, é que “o preço do petróleo baixou, o que pode moderar o preço dos combustíveis”, escreve o diário de Bruxelas.

"5.000.000.000.000 euros": é o custo da crise financeira mundial, anuncia a primeira página do diário De Volkskrant. “Em duas semanas, evaporou-se das Bolsas a quantia de cinco biliões de euros”, escreve o diário de Amesterdão, para quem esta soma corresponde às últimas perdas para “as carteiras de fundos de investimento, fundo de pensões e outras instituições financeiras e investidores privados”.

“O medo da recessão afunda as bolsas”, titula La Vanguardia“O G-20 e o BCE fazem cálculos a justa”, escreve o diário de Barcelona, para quem, neste “agosto negro” para as bolsas, os compromissos assumidos pelas instituições para controlarem a estabilidade financeira e a liquidez dos mercados “exige muito mais do que grandes discursos”: “novas posições e passos de gigante na direção da coordenação e gestão da economia global”. Isto exige “uma intervenção muito mais forte do  BCE” e “que a Alemanha vença as suas reticências e assuma a iniciativa da liderança do euro, em vez de o fazer demasiado tarde e contra vontade, com custos mais elevados para todos”.