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Casamento

As bodas dos homossexuais

17 julho 2009
Cafebabel.com Paris
Casal de participantes na "Gay Parade" de Génova (Itália). Foto de Daameriva.

Casal de participantes na "Gay Parade" de Génova (Itália). Foto de Daameriva.

Apenas 44% dos europeus são favoráveis ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. No passado mês de Abril, a Suécia aprovou a lei do casamento homossexual. Foi o quinto país europeu a reconhecer a igualdade entre casais hetero e homossexuais. Apesar das aparências, a Europa continua a ser conservadora. Cafebabel.com faz um roteiro dos locais "gay-friendly".

Podermos casar com alguém do mesmo sexo é uma questão de igualdade e de podermos escolher casar e quando queremos casar. No meu país, não o posso fazer. É proibido", lamenta Juris Lavrikovs, oriundo da Letónia e responsável da comunicação da ILGA Europe, a associação internacional de defesa dos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros e Interssexuais. No final de Julho, esta ONG vai publicar um relatório sobre os direitos dos homossexuais na Europa. Os números são desoladores. Em 58 países, apenas cinco autorizam o casamento homossexual de gays e lésbicas.

A Holanda foi o primeiro, em 2001, seguiu-se a Bélgica, em 2003, a Espanha, em 2005, a Noruega, em 2008, e a Suécia, no passado mês de Abril. O Governo sueco foi o primeiro a incluir uma cláusula no código civil que proíbe a recusa de celebração de casamento religioso a casais homossexuais. Os pastores podem recusar-se individualmente, mas a igreja luterana é obrigada a ter um pastor que queira celebrar o casamento religioso dos casais que assim o desejem. Na Bélgica, os estrangeiros também têm direito ao casamento homossexual, desde que um dos membros do casal tenha nacionalidade belga ou resida no país. Estas leis têm motivado a mais acesa polémica. Em Espanha, por exemplo, representantes da igreja católica e do Partido Popular (direita) mobilizaram uma forte ofensiva contra este projecto-lei com manifestações de rua em Madrid.

 

União de facto

 

No resto da Europa, a situação varia de país para país. "É importante não seguir a tendência dos media tradicionais que geralmente nesta matéria dividem a Europa em dois – países ocidentais para um lado e de leste para outro", refere Juris Lavrikos. "A República Checa, por exemplo, a Eslovénia e a Hungria são muito mais tolerantes do que a Itália e a Grécia."Inúmeros países, com receio de ferir a opinião pública, mas com vontade de avançar sobre esta matéria, oferecem alternativas ao casamento homossexual. A Dinamarca foi o primeiro país do mundo que passou a autorizar, a partir de 1 de Outubro de 1989, uma "parceria registada" entre homossexuais, com todos os direitos do matrimónio, à excepção da inseminação artificial e da adopção. França criou o PACS (Pacto Civil de Solidariedade) em 1999. Qualquer pessoa "pactuada" é abrangida pelos benefícios sociais do outro membro do casal e passa a ser co-responsável pelas despesas do casal no que diz respeito a necessidades básicas e habitação em comum.

No Reino Unido, a "Parceria Civil", instituída a 5 de Dezembro de 2004, oferece aos casais homossexuais direitos iguais aos dos casais heterossexuais.

 

Na Alemanha, o contrato civil de vida em comum deu aos casais de gays e lésbicas, a partir de 1 de Agosto de 2001, direitos semelhantes aos do matrimónio, excepto em matéria de impostos e adopção. A legislação portuguesa reconhece, desde 2001, a situação de duas pessoas, independentemente do sexo, que vivam em união de facto há mais de dois anos. Na Croácia, a lei que regula a união entre pessoas do mesmo sexo, adoptada em Julho de 2003, reconhece exclusivamente o direito ao "apoio mútuo" no seio do casal e o direito sucessório. No Reino Unido, a "parceria civil", instituída a 5 de Dezembro de 2004, oferece aos casais homossexuais direitos iguais aos dos casais heterossexuais.

 

Em 2006, o Parlamento checo aprovou o estatuto legal dos casais homossexuais, apesar de a lei ter sido vetada pelo presidente Vaclav Klaus. Em Dezembro de 2007, o Governo húngaro de centro-direita adoptou a lei da "parceria registada", que autoriza os casais de gays e lésbicas a legalizar a sua união. O estatuto de "concubinato" autoriza-os a pedir crédito bancário, a fazer valer os seus direitos sucessórios e a beneficiar de reduções fiscais.

 

UE resistente à mudança

 

"Temos de trabalhar muito para sensibilizar as pessoas nos países onde a oposição ao casamento homossexual é muito forte", explica Juris Lavrikovs. Na Polónia, Grécia, Letónia, Chipre, Bulgária e Roménia, cerca de 80% da população é contra o casamento de gays e lésbicas, segundo uma sondagem divulgada em 2007 pela Comissão Europeia. "Por outro lado, a União Europeia nada pode fazer em matéria de direito de família", lamenta Juris Lavrikovs. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem já por diversas vezes se pronunciou no sentido de que restringir o matrimónio a casais heterossexuais é matéria que diz respeito às leis internas de cada país e não é considerado discriminatório. Apesar de tudo, alguns políticos desafiam os legisladores dos seus países a incentivar o progresso. O presidente de uma câmara municipal na Grécia celebrou, em Junho de 2008, pela primeira vez, o casamento de dois casais homossexuais na pequena ilha de Tilos, no mar Egeu, aproveitando a circunstância de o código civil, adoptado em 1982, ser omisso quanto ao facto de o matrimónio ter necessariamente de ser contraído por duas pessoas de sexo diferente.

 

"Mas há um outro problema. Por exemplo, se um casal homossexual casar na Bélgica e um dos membros do casal for trabalhar para a Polónia, se decidirem ir viver para este país, o casamento não lhes é reconhecido", critica Juris Lavrikovs. Os activistas pela igualdade de direitos entre homossexuais e heterossexuais têm um longo caminho pela frente. A luta ainda agora começou. A 17 de Maio de 2005 foi celebrado pela primeira vez, em 40 países, o Dia Mundial de Luta contra a Homofobia. Passaram apenas quinze anos desde o dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) eliminou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais.

                                                                                                                                                                       Séverine Lenglet