Em visita a Berlim, dia 22 de fevereiro, o primeiro-ministro grego tentou conseguir um prolongamento do prazo de pagamento do plano de salvamento do seu país. Mas enquanto o descontentamento social e a pressão dos banqueiros europeus cresce, os 27 só irão decidir no final de março.
"É imperioso um acordo global entre os membros da UE, no próximo dia 25 de março, em Bruxelas, no Conselho Europeu. Senão, a situação vai piorar na Europa e na Grécia ", declarou ontem o primeiro-ministro Georges Papandreou, ao fazer o balanço da situação à chanceler alemã Angela Merkel, cerca de um ano depois do plano de rigor. "A Europa tem responsáveis", sublinhou, e "é preciso pôr fim a esta história, virar a página e não nos encontrarmos novamente perante uma crise como aquela que atravessámos durante meses".
Para o primeiro-ministro, o objetivo é, acima de tudo, adiar o prazo de pagamento do empréstimo de 110 milhões de euros acordado pela UE e pelo FMI. Esta opção está "prevista", "mas é razoável que não se tome uma decisão precipitada, sendo preferível uma resposta global. E isso é melhor para a Grécia". Mas Angela Merkel, com a ideia fixa na derrota eleitoral do seu partido nas eleições regionais de Hamburgo, domingo passado, recusou desde logo encontrar uma solução para o problema global da zona euro, no qual se inclui o "problema grego".
"Inúmeros alemães acham que os gregos vão conseguir"
Consequentemente, "continua tudo sobre a mesa" das negociações, segundo fonte governamental. Mesmo que reconheça que o Governo grego tomou decisões "difíceis", a chanceler alemã recusa-se a prolongar o pagamento e a submetê-lo a uma decisão europeia. Obviamente que a cimeira de final de março vai coincidir com as eleições em Bade-Wurtemberg e Angela Merkel irá estar novamente sob pressão do seu partido. A imprensa alemã já fala de "punição" nas urnas em relação à sua posição evasiva sobre a Grécia. É pouco provável que a chanceler mude de posição até março, não se prevendo que apoie a moeda única.
Naquilo que nos diz respeito, em relação ao prolongamento do pagamento da dívida, Angela Merkel "refletiu" e "está tudo em aberto". Claro que a chanceler irá ater-se aos resultados do plano de salvamento para ver se a Grécia está em condições de fazer parte do pacto de competitividade, promovido por si própria e por Nicolas Sarkzoy, do qual a Grécia gostaria de ser dispensada [atendendo às condições demasiado rigorosas do pacto].
A chanceler alemã apoiou a Grécia e assegurou que "inúmeros alemães estão persuadidos de que os gregos vão conseguir, mas [que] é preciso continuar a fazer esforços". Isto provocou, naturalmente, um protesto dos gregos que, neste momento, estão convencidos de que se preparam novas medidas de austeridade, mesmo que o primeiro-ministro afirme o contrário. Depois da Alemanha e da Finlândia, o primeiro-ministro grego irá visitar outros países europeus, enquanto o descontentamento alastra no seu país, na oitava greve geral desde o início da política de austeridade.
