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Ecologia e desenvolvimento sustentável

Energias renováveis

Portugal é exemplo nas renováveis

20 agosto 2010
The New York Times Nova Iorque
Um parque eólico da EDP em Cadafaz, norte de Portugal.

Um parque eólico da EDP em Cadafaz, norte de Portugal.

Através de uma aposta pioneira, Portugal reduziu drasticamente a sua dependência em relação aos combustíveis fósseis. Este ano, cerca de metade da sua eletricidade virá de fontes renováveis.

Há cinco anos, os líderes deste país queimado pelo Sol e batido pelo vento fizeram a aposta: para reduzir a dependência de Portugal dos combustíveis fósseis importados, embarcaram numa série de projetos ambiciosos de energias renováveis – explorando principalmente os recursos eólicos e hidroelétricos, mas também a luz do Sol e as ondas do oceano. Hoje, os bares da moda de Lisboa, as fábricas do Porto e os "resorts" luxuosos do Algarve são alimentados, de forma substancial, por energias limpas. Aproximadamente 45% da rede elétrica de Portugal virá de fontes renováveis este ano, contra os 17% de há cinco anos.

A energia eólica de base terrestre – considerada este "potencialmente competitiva" em relação aos combustíveis fósseis pela Agência Internacional da Energia, em Paris – expandiu-se sete vezes no mesmo período de tempo. E Portugal espera tornar-se, em 2011, no primeiro país a inaugurar uma rede nacional de postos de carregamento para automóveis elétricos. "Vi os sorrisos: é um bom sonho. Não é competitivo. É demasiado caro", diz o primeiro-ministro, José Sócrates, recordando como Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro italiano, ofereceu-se, a brincar, para lhe construir um Ferrari elétrico. Sócrates acrescenta: "A experiência de Portugal mostra que é possível fazer estas mudanças num curto espaço de tempo".

O derrame de petróleo no Golfo do México renovou as questões acerca dos riscos e custos imprevisíveis da continuada dependência dos Estados Unidos nos combustíveis fósseis. O Presidente Barack Obama agarrou a oportunidade de promover o seu objetivo de ter 20 a 25% da eletricidade americana produzida a partir de fontes renováveis em 2025. Embora a experiência de Portugal mostre que o progresso rápido é alcançável, demonstra também o preço de tal transição. Os lares portugueses há muito que pagam o dobro do que os americanos pela eletricidade e os preços subiram 15% nos últimos cinco anos, provavelmente por causa do programa de energias renováveis, afirma a Agência Internacional de Energia. […] Leia a tradução integral do artigo no sítio do jornal i

Espanha/Alemanha

Energia solar, vítima do seu próprio êxito

Até à crise de 2008, "os governos ajudaram as empresas investidoras em energias renováveis à força de subsídios", escreve o Il Post. Atualmente, explica o diário digital italiano, "a crise e os elevados preços da energia levam os países a reduzir estes subsídios, pondo consequentemente em dificuldades os que investiram no setor. E ameaçando os planos da União Europeia, segundo os quais 20% da energia produzida em 2020 deverá ser de origem renovável, a fim de respeitar o objetivo de redução dos gases com efeito de estufa em 20% dos valores de 1990". Em Espanha, salienta o The Wall Street Journal, o Governo anunciou para 1 de agosto um plano de redução de 45% nos apoios para novas centrais fotovoltaicas. Na Alemanha, prossegue o diário norte-americano, perante o surto de instalações solares subvencionadas – com os inerentes custos para o Estado – "o Governo decidiu, em julho, reduzir 16% nos subsídios".