Depois da Grécia e de Portugal, a Espanha viu a notação da dívida ser cortada pela agência Standard & Poor’s, a 28 de Abril. A dinâmica negativa parece cada vez menos controlável.receia o El País.

A Grécia continua o seu voo em espiral para uma espécie de buraco negro. E arrasta nesse voo outros países. “O contágio começou”, garantiu ontem o Secretário-Geral da OCDE, Ángel Gurría, e a descida da classificação de Espanha pela agência Standard & Poor’s veio acrescentar mais uma dose de incerteza.

Uma baixa do rating soberano como a que aconteceu em Espanha tem consequências que se resumem numa só: comporta um aumento permanente do custo do capital. Quer dizer: encarece a dívida. “Num país tão endividado como Espanha, essa é uma péssima notícia”, afirma Carmen Reinhart, economista da Universidade de Maryland e autora de um dos grandes livros desta crise This Time is Different, escrito com Kenneth Rogoff]. Mas desta vez é diferente.

Espanha tem algumas semanas para agir

O paradoxo é que o problema de Espanha não é a dívida pública: é a dívida privada. A situação fiscal é perigosa porque o deficit é elevado e a crise pode ser prolongada, mas as dúvidas dos mercados acrescentam a essa incerteza as dúvidas que geram um enorme endividamento privado de bancos, empresas e famílias, embalsamado durante os anos de bonança. E que, com a baixa do rating, vai ser ainda mais caro de financiar.

“Temo que Portugal esteja já a ter dificuldade em fugir a essa espiral que costuma ser um ataque especulativo”, explica Charles Wyplosz, do Instituto universitário de altos estudos internacionais de Genebra. “Espanha ainda tem umas semanas para agir. O plano de autoridade fiscal já não é suficiente (...). São precisos acordos rápidos, medidas urgentes, profundas, talvez emular a Alemanha e impedir os défices públicos por lei; qualquer coisa radical”. Os analistas consideram que as duas outras grandes agências, a Moody’s e a Fitch, podem seguir os passos da S&P se o Executivo não tomar medidas rapidamente.

Crise vai afectar todo o mundo desenvolvido

A segunda consequência é abrir mais um foco de contágio da crise fiscal: até agora, os problemas da Grécia transmitiam-se aos restantes países; agora, os problemas de Espanha e de Portugal também prejudicam a Grécia. E a zona euro no seu conjunto, e até para além dela. “Não se trata de um problema de Espanha, nem da periferia da Europa: pode converter-se numa crise que afecte quase todo o mundo desenvolvido, que partilha esse buraco fiscal”, explica o economista José Luis Alzola.

Ao fim e ao cabo, as agências vêem o mesmo que os investidores, sejam eles especuladores ou não: as debilidades de Espanha são o desemprego, as contas públicas e a banca. “São necessárias medidas urgentes nessas três áreas se Espanha não quer chegar a uma situação de não retorno igual à da Grécia”, defende José Carlos Díez, economista chefe da Intermoney.