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Multilinguismo

Bye bye signor Orban, et dank U

11 fevereiro 2010
Dilema Veche Bucareste
"A alma do Ebro" do escultor espanhol Jaume Plensa. Foto: Stephan P/Flickr

"A alma do Ebro" do escultor espanhol Jaume Plensa. Foto: Stephan P/Flickr

Considerado uma boa invenção para ocupar o comissário romeno Leonard Orban, recém-nomeado após a adesão do seu país, o cargo do Multilinguismo revelou ser tudo menos inútil. Pena que o seu comissário cessante não seja reconduzido no novo executivo, que toma funções no dia 10 de Fevereiro.

"Sim, tem razão, somos dotados para as línguas estrangeiras!" Estava em Bruxelas para um colóquio sobre a posição da Roménia na UE, em 2006, quando encontrei por acaso um motorista de táxi romeno. Pelo caminho, ia a pensar em voz alta no que ia dizer e comecei a tagarelar com esse compatriota. "Em que áreas somos mais fortes, que sejam uma mais-valia em relação a outros países?", perguntei-lhe. "Talvez a agricultura e o turismo, como todos dizem…", replicou o motorista. "Talvez os programadores, os… como se diz… do software, analistas?" E de repente, fez-se-me luz: "Tradutores e intérpretes, aí está o que podemos dar à Europa!". O motorista ficou um pouco perplexo. E no entanto, no seu táxi, lia-se: "Falamos inglês e espanhol".

O multilinguismo, uma virtude romena

Na Roménia, falar línguas estrangeiras é uma virtude. Em relação a Sófia, Praga ou Budapeste, tive sempre a noção de que a percentagem de habitantes de Bucareste capazes de indicar uma rua em inglês (ou francês ou alemão) é claramente superior. Os escandinavos falam correntemente inglês ou alemão, mas, mais ao sul, as coisas complicam-se um pouco: os franceses tiveram recentemente necessidade de dispendiosas campanhas públicas para começar a aprender inglês; os italianos são demasiado subjugados pela beleza da sua própria língua; os espanhóis aprendem localmente as línguas dos turistas maioritários (alemães ou franceses, para além da dificuldade de aprender castelhano ou catalão).

No colóquio, durante o seminário, quando o chefe da delegação da Comissão Europeia na Roménia, Jonathan Scheele, fez a pergunta sobre o domínio em que a Roménia seria um pouco mais interventiva, debitei apaixonadamente o que tinha ensaiado anteriormente no táxi. "Se até há pouco éramos os alfaiates da Europa, e isso não era vergonha nenhuma, porque não havemos de ser agora os tradutores e intérpretes da Europa? Na Roménia, os chefes de Estado são escarnecidos quando cometem erros em línguas estrangeiras, o que não acontece de facto noutros países". Na Roménia, isso faz parte da ordem natural das coisas. Não conhecer uma língua estrangeira é considerado uma vergonha. No Ocidente, ninguém se incomoda com isso. Têm o complexo das grandes culturas e não sentem necessidade de aprender a língua do vizinho.

A ocasião faz o destino

Terá sido então por acaso que, após a adesão da Roménia, em 2007, o primeiro comissário europeu romeno, Leonard Orban, tenha dado início a uma nova pasta de Multilinguismo? No entanto, na altura, muitos romenos sentiram-se vexados por essa indigitação, digna de um "país de segunda ordem".

Por último, durante os quase três anos em que esteve no cargo, Orban não mandriou: deve-se-lhe, por exemplo, o reconhecimento do gaélico da Irlanda como língua oficial da União, tendo os catalães, os corsos e os bascos encetado processos no mesmo sentido. Mal tomou posse, dedicou-se à organização do serviço, nomeadamente do maior corpo de tradutores e intérpretes do mundo. Além disso, como primeiro titular deste cargo, desbravou terreno e apresentou até um tema para uma estratégia comunitária: "As línguas e a competitividade económica", tendo lançado um sistema de bolsas Erasmus para as empresas.

Com efeito, os próprios britânicos tinham constatado que as suas empresas perdiam muito dinheiro e produtividade porque, durante décadas, evitaram o esforço de aprender uma língua estrangeira, parecendo-lhes a sua suficiente para os negócios. Os franceses compreenderam isso e lançaram no ano passado uma campanha espectacular (e cheia de humor), convidando as pessoas a aprender inglês. Por último, Orban teve de assegurar a representação na Comissão de uma Roménia instável, hesitante, principiante na prática da burocracia comunitária.