Jovens portugueses querem emprego

Foto de final de curso, 2007, na Universidade de Coimbra: o espector do desemprego paira sobre estes estudantes Foto : dda1605 / Flickr
Geração perdida. A expressão, amarga, integral, tem sido usada no Reino Unido para encaixar quem tem agora entre 16 e 25 anos. Uma reportagem de Ana Cristina Pereira, publicada no Público, alerta para a existência de indicadores semelhantes em Portugal. Os jovens que saem actualmente das faculdades têm um futuro com poucas perspectivas de emprego certo
Nunca foi tão difícil encontrar um emprego estável como hoje. Apesar de, em média, terem mais habilitações curriculares do que as gerações que os precederam, os jovens portugueses de hoje, correm o sério risco de se tornarem numa geração sem esperança.
Uma reportagem de Ana Cristina Pereira, publicada no Público relata a situação do Reino Unido com base num aviso dos autores de um estudo encomendado pela organização não governamental Prince’s Trust.
Em Portugal, não há qualquer estudo equivalente a este - financiado pelo príncipe Carlos – que auscultou 2088 britânicos. Mas, o Instituto Nacional de Estatística tem indicadores disponíveis e o Eurostat acaba de actualizar o essencial: em Novembro, o desemprego nos jovens até aos 25 anos estava nos 18,8 por cento, abaixo da média da União Europeia (21,4 por cento). Nos extremos, a Holanda (7,5) e a Espanha (43,8).
No ano lectivo 2007-2008, estavam inscritos no ensino superior 377 mil alunos – mais 20 por cento do que em 1995-1996. No final, as universidades mandaram para o mercado mais de 83 mil diplomados – mais 16 por cento do que no ano anterior. Hoje, há cada vez mais licenciados a trabalharem a recibos verdes e, também, nos call center.
Uma emancipação muito desigual
Os jovens portugueses, que são obrigados a viver em casa dos pais por não terem dinheiro para pagarem o seu próprio alojamento, não estão sozinhos. Na vizinha Espanha, 72% dos jovens entre os 20 e os 30 anos ainda não saiu do domicílio da família; em Itália, são 70% e na Irlanda, 61%. Pelo contrário, são apenas 18% os jovens suecos que vivem com os pais, um pouco menos que os britânicos (28%) e os franceses (35%). Estes números baixam quando os jovens têm emprego, apesar do aumento do trabalho precário (contratos a prazo e contratos para trabalhar em projectos temporários), especialmente em Itália e em Espanha, o que “contribuiu para frustrar o desejo de autonomia dos jovens”, diz o La Repubblica.
Segundo este jornal, é essencialmente em função do sistema de segurança social que os jovens se decidem a deixar a casa da família: “Onde não há alojamento para estudantes ou para pessoas à procura do primeiro emprego, ficar em casa dos pais é a única escolha possível”. Outras razões, “as tradições e os modelos familiares, o nível de instrução e a duração dos estudos”.
“Em Itália, tal como em Espanha e na Grécia, uma boa parte da protecção social está a cargo das famílias e a maior parte delas não pode ter um filho”, explicou ao diário de Roma Chiara Saraceno, co-autora do primeiro relatório comparativo sobre as famílias, o trabalho e os recursos sociais na Europa.
“No Norte da Europa, onde as bolsas de estudo são mais prevalentes e os critérios para as obter menos rigorosos, e onde existe uma verdadeira protecção social, é considerado anormal um jovem viver com os pais. Além do mais, nesses países, o alojamento é simples e acessível e os jovens saem de casa”, acrescenta. “Os britânicos, os suecos, os franceses e os irlandeses dispõem-se a endividar-se para pagarem o seu próprio alojamento, enquanto que os apartamentos familiares são prevalentes entre os espanhóis e os italianos”. Finalmente, sublinha La Repubblica, “a religião exerce grande influência: nos países católicos, o casamento continua a ser a principal razão de saída de casa dos pais”.