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30 novembro 2009
Cafebabel.com Paris

Uma vez entradas na cabeça, essas cançonetas nunca mais descolam. Giram, trotam, rastejam, colam, insistem, enervam… em todas as línguas europeias.

I just can' t get you out of my mind, lá cantava Kylie Minogue. E apesar de a cantora e actriz australiana não se referir directamente à sua canção pop, fácil de reter, isso não a impediu de entrar na cabeça de milhões de pessoas pelo mundo fora e só sair a muito custo. O que tinham essas pessoas todas em comum? Foram infectadas pelo mesmo vírus: a cantilenite – aguda, sempre. Os indivíduos afectados por esta doença apresentam dificuldades de concentração, acusam frustrações e manifestam tendência para trautear e agitar-se sem sequer se aperceberem disso. O sintoma da agitação, em particular, revela-se extremamente contagioso e contribui para a propagação da doença.

Antigamente, os alemães qualificavam de Ohrwurm (fura-orelhas) as pessoas bajuladoras. Hoje em dia, a expressão, que significa literalmente “vermes de orelha”, designa, de forma figurada, uma musiqueta que rasteja pelo canal auditivo e aí se aloja. A expressão alemã foi literalmente transposta para o outro lado da Mancha, e deu, em inglês, earworm. Quanto aos espanhóis, vêem a cantilena persistente como uma canção adesiva (canción pegadiza). Também os portugueses é sobre a sua insistência que colocam a tónica, o que a expressão brasileira chiclete na orelha bem reflecte – porque fica colada no ouvido horas, ou mesmo dias, a fio.

Os italianos também não se ficam e qualificam este tipo de intrusão musical como canzone tormentone (canção enervante); o mesmo que os franceses, com a sua musique entêtante. Mas afinal, como é possível desembaraçar-se dessas melodias que chodzi mi po glovie (trotam na cabeça), interrogam-se os polacos, com razão? É uma praga… Como tal, combate-se ecologicamente com outra música que nos cative ou descanse.

Vivian Rumpler