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  • EMBAIXADOR DA TURQUIA EM PORTUGAL A comunidade internacional tem de resolver a questão de Chipre do Norte

    17 maio 2010

    Filho e neto de diplomatas, teve o seu primeiro posto como embaixador em Portugal. No próximo mês, Kaya Türkmen, 53 anos, deixa o nosso país para chefiar a embaixada da Turquia na metade da cidade de Nicósia que é a capital da República Turca do Chipre do Norte.

    Um desafio difícil – mesmo para quem trabalhou no Afeganistão ocupado pelos soviéticos – pois, na prática, vai ser o único embaixador estrangeiro nesse país, que é reconhecido pela Turquia, mas inexistente aos olhos da comunidade internacional.

    “A questão cipriota tem quase meio século; começou em 1963 e já durou demasiado tempo. O mundo não pode permitir que este problema se mantenha. Na minha opinião, as duas comunidades (cipriotas gregos e cipriotas turcos) precisam de ajuda externa para negociar. E essa ajuda tem de vir da Grécia, da Turquia, da ONU e da UE", disse ao Expresso Kaya Türkmen.

    Chipre pertenceu ao império otomano entre os séculos XVI e XIX. A conferência de Berlim decidiu que a ilha seria um protectorado britânico e, em 1914, passou a ter o estatuto de colónia. Em 1960, tornou-se independente e, três anos mais tarde, surgiram os primeiros focos de violência entre as comunidades grega e turca: “Só tenho notícia de se terem realizado três casamentos mistos na ilha”, diz Türkmen para ilustrar o clima de tensão que sempre existiu entre as duas comunidades cipriotas.

    Kaya nasceu em Bruxelas, passou a primeira infância em Roma, e fez a escola primária na Alemanha – onde ficou a viver com os avós maternos, quando o pai foi colocado na embaixada turca no Paquistão. Depois disso, a mãe decidiu regressar à Turquia, para garantir que os dois filhos iriam viver a sua juventude e estudar no país da família – para conhecerem a cultura e tradições do seu povo.

    Cidadão do mundo e muçulmano não-praticante, reconhece que o meio onde nasceu foi decisivo para a escolha da profissão: “Ao fim de três ou quatro anos num sítio, já começo a pensar para onde vou a seguir. Tenho a sensação de que os cinco anos mais longos da minha vida foram aqueles que passei em Ancara antes de vir para Portugal”, em Janeiro de 2007.

    Quando chegou a Lisboa, tanto ele como a mulher, Nurdan – uma jornalista que suspendeu a carreira por escrever sobre assuntos europeus, incompatíveis com uma parte substancial da carreira do marido – tiveram “um caso de amor” com Portugal: “Os portugueses têm uma grande história e são um povo condescendente e simples; essas qualidades são difíceis de encontrar.

    Texto de Manuela Goucha Soares  

  • EMBAIXADOR DE MOÇAMBIQUE EM PORTUGAL Filho de Makondes...

    10 maio 2010

    O embaixador de Moçambique em Portugal, Miguel Mkaima, tinha 38 anos quando se licenciou em História de Arte na Universidade Irmãos Humboldt, na velha e desaparecida Berlim-Leste. Não que Miguel fosse estroina ou cábula, mas porque o seu percurso reflecte os últimos 50 anos da história do seu país.

    O embaixador de Moçambique em Portugal nasceu no planalto de Mueda, em 1954, numa família Makonde – etnia que vive entre esta região e o sudeste da Tanzânia. O pai, Albino Mkaima, além de simpatizar pouco com o regime colonial, tinha duas mulheres que viviam mais ou menos juntas, na companhia dos sete filhos de uma e dos seis da outra.

    Em Setembro de 1964, quando começou a Luta Armada de Libertação Nacional com um ataque ao posto de Chai na província de Cabo Delgado – a mesma a que pertence Mueda – a vida dos Mkaima em Moçambique complicou-se e a grande família alargada mudou-se para a Tanzânia, país onde a Frelimo – Frente de Libertação de Moçambique – tinha bases de apoio. Miguel já andava pelos 10 anos de idade, mas a sua vida ainda só tinha passado pelas lides da agricultura de subsistência e pastorícia.

    O novo país abriu-lhe as portas da escola, mas fechou para sempre o tempo em que vivera protegido no seio da família: fez a escola primária em regime de internato no Centro Educacional da Frelimo, em Tunduru, e começou o liceu na Escola da Frelimo, em Bagamoyo.

    A independência de Moçambique trouxe-o de volta ao país onde nascera, e à cidade da Beira onde frequentou o ensino médio na Escola Samora Machel.

    No seu jovem país, as oportunidades de carreira eram inversamente proporcionais à escassez de recursos humanos. Em 1975, ainda a faculdade era um sonho distante, foi nomeado director da Escola de Formação de Professores do Ensino Primário e, dois anos mais tarde, director provincial da Educação e Cultura de Cabo Delgado.

    Quando veio viver para Maputo matriculou-se em engenharia química na Universidade Eduardo Mondlane – mas a conjuntura foi-lhe adversa: “Foi numa época em que a Renamo tinha destruído muitas vias de comunicação e a situação do país era má”. O curso não foi para a frente mas o destino brindou-o com uma bolsa de estudo da ex-República Democrática Alemã.

    Em 1985, mudou-se para Berlim para estudar História de Arte: “A minha primeira opção era a química; a segunda, qualquer coisa ligada à arte, apesar de saber que não podia ir para Belas Artes porque não tinha estudado desenho”. Dez anos depois de ter emigrado, foi nomeado director do Museu Nacional de Arte e, em 2000, ministro da Cultura. Já embaixador em Portugal, fez um mestrado sobre a arte do seu povo: os Makondes, e vai publicar um livro sobre este tema, disse Miguel Mkaima, ao Expresso. 

    Texto de Manuela Goucha Soares  

  • FUNDAÇÃO LUSO-AMERICANA PARA O DESENVOLVIMENTO Rui Machete deixa a FLAD ao fim de 22 anos

    04 maio 2010

    Ocupou vários cargos de primeira linha na sociedade portuguesa – como os de vice-primeiro ministro do Bloco Central, ministro da Defesa, da Justiça, secretário-geral adjunto do PPD, advogado com nome na praça – , mas dedicou os últimos 22 anos da sua vida à construção da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).

    Ao longo deste caminho, procurou equilíbrios para combater “interferências nacionais e estrangeiras” na Fundação. É que, explica, “para garantir essa autonomia, precisava eu mesmo de ser autónomo. Foi por esta razão que fiz um esforço duplo e continuei a fazer advocacia e a dar aulas” na faculdade.

    Na semana em que deixa de estar à frente da FLAD – o homem que foi o primeiro presidente português desta instituição, ocupando o cargo desde Julho de 1988 – , diz que “as necessidades da vida obrigaram a FLAD a inventar-se a si própria, sem nunca fugir ao objectivo do desenvolvimento económico e cultural do país”.

    “No primeiro mandato tomei uma decisão importante: optar para que a Fundação fosse tendencialmente perpétua”, em vez  de durar sete anos como chegou a ser pensado. “Isso implicou que a gestão do património deixasse de ser feita em função da atribuição de subsídios e que a Fundação se transformasse num think-thank”. A FLAD colaborou com a SEDES e com o IPRI – Instituto Português de Relações Internacionais, “que tem sido um dos nossos braços-armados nas relações internacionais”.

    No momento em que sai, Machete lamenta o facto de “não ter conseguido alterar os estatutos, por forma a assegurar uma certa autonomia que não está juridicamente garantida”. Em compensação, regojiza-se por acreditar que fez “uma interpretação correcta” dos objectivos. “Se não fizesse uma interpretação correcta só gastaria dinheiro em Portugal”, refere.

    Existe um trabalho lento, mas importante, como a promoção da língua portuguesa nos EUA, os projectos desenvolvidos para levar os imigrantes nos EUA a adquirirem a nacionalidade americana, a integrarem-se e votarem. “Outro aspecto é a integração da nossa política de cooperação com África na actividade da Fundação, de modo a acentuar o seu carácter nacional”, salienta. Para a semana, Machete regressa à PLMJ advogados e à docência universitária – que diz ser a sua “vocação prioritária”.

    TEXTO de Manuela Goucha Soares – EXPRESSO, edição de 1 de Maio de 2010

  • 150 anos do Tratado de Paz Portugal abriu o Japão ao mundo

    27 abril 2010

    Botan e pan são duas palavras de origem portuguesa que os japoneses do século XXI ainda utilizam para designar um objecto e um alimento do seu quotidiano – o botão e o pão – dois elementos que desconheciam até ao dia em que os primeiros aventureiros portugueses desembarcaram no Japão, a bordo de navios asiáticos. Não se sabe ao certo quem foram os protagonistas deste primeiro encontro, nem em que data terá ocorrido: “1542, 1543”, adiantou, como datas possíveis, João Paulo Oliveira e Costa, director do CHAM – Centro de História de Além-Mar, em conversa com o EXPRESSO

    O aspecto mais importante desse legado é que “os meninos japoneses que frequentam as escolas primárias, aprendem que foram os portugueses que abriram o Japão ao mundo”, diz Oliveira e Costa. O impacto foi tão profundo que o publicista japonês Ken Takeuchi afirmou que a chegada dos portugueses ao Japão “foi o maior acontecimento desde que a cultura chinesa foi introduzida no Japão no século VI” [Takeuchi é citado pelo embaixador Martins Janeira no livro “O Impacto Português Sobre a Civilização Japonesa”]. 

    A relação entre estes dois povos foi essencialmente comercial, mas os portugueses acabaram por transmitir aos japoneses a consciência de que precisavam de construir uma unidade nacional, que substituísse a fragmentação quase feudal no país. Como não há bela sem senão, a introdução da espingarda e de outras armas de fogo, e da pólvora, foi uma consequência decisiva para o evoluir da guerra, e os armeiros nipónicos rapidamente aprenderam as técnicas do seu fabrico.  

    O idílio luso-nipónico durou até 1639, altura em que os portugueses foram expulsos e decretada a proibição da entrada dos nossos barcos no país. O Japão voltou a ficar (quase) fechado ao mundo por mais 200 anos, restabelecendo relações em 1853 com os americanos. Em 1860, o País do Sol Nascente assinou um Tratado de Paz com Portugal – do qual se comemora este ano o 150º aniversário.

    Texto de Manuela Goucha Soares  

     

  • Embaixador do México em Portugal "Crise e gripe A são ameaças globais"

    24 setembro 2009

    No início da década de 1970, Mauricio Toussaint tinha menos de 20 anos e muita vontade de conhecer o mundo. Viajou para Espanha com colegas da Universidade Nacional Autónoma do México, onde cursava Ciência Política, e o acaso de uma imprevista greve de professores fê-lo prolongar a estada na Europa e rumar a Portugal. Acresce que um dos companheiros de viagem tinha um familiar em Cascais, cuja residência foi utilizada como albergue pelo grupo de jovens que, no final de uma viagem pelo país vizinho, já estava quase falido.

    Numa conversa com o EXPRESSO, contou: "Entrámos pelo Norte (pela Beira), e corremos o país quase todo, quase sempre à boleia. Estive em Viseu, passei mais de uma semana na Nazaré... mas a ideia que guardei do Portugal desse tempo foi a de um país muito pobre, completamente diferente daquele onde estou a viver. Da primeira vez que cá estive, havia a Ponte Salazar e mais dez quilómetros de auto-estrada para cada lado da ponte...” No cenário desse Portugal que se despedia da ditadura, Mauricio e os amigos constataram que as roupas que usavam eram “muito fashion” e cobiçadas pelos jovens com quem se cruzavam. Falidos como estavam, decidiram vender uma boa parte do vestuário e continuar viagem.

    Mauricio começou a colaborar profissionalmente com o Governo Federal muito cedo na área da energia. Como ele próprio diz, é um homem da “diplomacia petroleira”, por ser um especialista no sector energético. Visitou Portugal em 2001, como secretário-geral do ministério das Relações Exteriores do México: “Nunca me esquecerei dessa visita. Estava cá no dia em que caíram as Torres gémeas...”

    Neste momento, está empenhado na Cimeira Ibero-Americana que se vai realizar em Portugal no final do ano. “Vão estar em cima da mesa temas como a inovação, o conhecimento, e é óbvio que a crise não vai escapar”. Todos os países andam à procura de um caminho seguro para sair da crise e o México também. Até porque foi o ‘berço’ dos primeiros casos de gripe A, e esse facto acabou por afectar os fluxos turísticos que são uma receita com alguma importância para o país.

    “Tanto a crise como a gripe provam que as ameaças são globais, que os assuntos têm de ser discutidos a nível global”. Daí a importância dos fóruns internacionais: “Todos juntos temos de desenvolver uma estratégia para ultrapassar a crise. E o México, por exemplo, é um país cuja economia depende em quase 80% dos EUA... embora seja o segundo parceiro de Portugal na América Latina.”  

    Manuela Goucha Soares

  • EMBAIXADOR DA UCRÂNIA EM PORTUGAL URSS não gostava de Peter Pan

    03 setembro 2009

     Os ucranianos, em Portugal, são a segunda maior comunidade migrante, com 53 mil pessoas cuja situação está legalizada, e vêm sobretudo da Ucrânia ocidental. Pouco depois de este país ter comemorado 18 anos de independência [24 de Agosto, o EXPRESSO falou com o embaixador da Ucrânia em Portugal, Rostyslav Tronenko, um homem que nasceu num país que se diluiu quando ele já  tinha 29 anos Peter Pan, um dos mais famosos filmes de animação da Disney, aos 47. Não que a história do rapaz que esvoaçava pelas janelas fosse perigosa para o equilíbrio das crianças soviéticas, mas porque até à queda do Muro de Berlim os governantes das terras que ficavam para lá da 'cortina de ferro' olhavam a Disney como um símbolo do império americano, personae non gratae na velha Europa de leste.

    Diga-se em abono da verdade que o imaginário infantil de Rostyslav não permaneceu alheio às fantasias de James Matthew Barrie. O livro que conta a história de Peter Pan estava traduzido em russo e disponível para as crianças da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, pátria do socialismo e da “igualdade na falta de muitas coisas”, como refere Rostyslav Volodymyrovych, embaixador da Ucrânia em Portugal, que conversou com o Expresso dois dias depois de ter visto o filme Peter Pan pela primeira vez, na companhia da filha de cinco anos.

    No tempo em que cresceu, “o Estado cuidava de tudo”. Rostyslav recorda com ternura os tempos da infância e juventude porque “temos sempre saudades dessas épocas. Mas agora há liberdade e os meus compatriotas são livres de poderem vir para o vosso país”, e aqui fazerem a sua vida. “A Ucrânia foi sempre uma ponte entre a Europa e a Ásia e um local de encontro de muitas culturas. Isso faz-nos parecidos com os portugueses. Na Ucrânia até temos uns lenços parecidos com os do Minho”, que lá devem ter chegado num desses movimentos de transumância humana.

    Na universidade, foi obrigado a decorar versos de Os Lusíadas: Grande parte da minha carreira está ligada à lusofonia. Trabalhei como intérprete em Moçambique nos anos 1980 e numa Associação de Amizade com Países Estrangeiros”. Tudo isso aconteceu antes de entrar para a carreira diplomática, e de o seu país recuperar a independência.

    O pai, doutorado em Economia, com uma tese sobre o socialismo em Cuba, não sai da Ucrânia há mais de três décadas, mas sempre disse ao filho que este deveria estar atento ao mundo. E nunca desistiu de o motivar para a área da diplomacia, mesmo quando Rostyslav escolheu cursar Línguas Modernas na Universidade Estatal de Kiev para, numa tímida contestação juvenil, picar os progenitores. Este Verão, o pai de Rostyslav vem visitar o filho, as netas e a nora brasileira, e conhecer Lisboa. A sua primeira viagem em 34 anos.  

    Manuela Goucha Soares

  • NEGÓCIOS DE GUERRA Hitler comia peixe português

    27 agosto 2009

    Todos os anos, mais de 20 milhões de latas de conservas portuguesas viajam para 35 mercados, e até no bunker de Hitler foram encontradas três latas de sardinhas made in Portugal. Como relata o jornalista do Expresso, Abílio Ferreira – num texto publicado no Expresso Online (http://aeiou.expresso.pt/latas-de-conserva-da-ramirez-encontradas-na-despensa-de-hitler=f532559), as guerras, devastadoras para a maioria da população, representam oportunidades de negócio para alguns. Portugal testemunhou vários casos durante a II Guerra Mundial que vão do volfrâmio às conservas, passando pelo contrabando do bagaço de azeite.

    Voltando ao texto de Abílio Ferreira sobre as conservas Ramirez,«foi, todavia, com as guerras que o negócio da Ramirez e da generalidade da indústria conserveira portuguesa prosperou. Se no fim do século XIX Portugal tinha 76 fábricas, no fim da Primeira Guerra Mundial, o universo alarga-se para 300. A empresa percebeu que "o consumo era anormal e transitório" e, ao contrário de outros concorrentes, aguentou-se na ressaca dos anos 20. Ainda assim, sofreu com a pressão de preços e a depressão em que o sector mergulhou e que levaria até Oliveira Salazar a publicar um diagnóstico sobre as ameaças que as conservas enfrentavam.

    A Segunda Guerra Mundial ajuda à retoma. Portugal beneficia do facto de ser dos raros países com a produção a funcionar. A Ramirez fornece a Cruz Vermelha e exporta para mercados como a Bélgica, Reino Unido e Alemanha. Por isso, a família não estranhou um telefonema do seu agente em Hamburgo, no início dos anos 50, dando conta que tinham na sua posse três latas muito especiais. Eram conservas de sardinha em azeite que tinham sido recolhidas do bunker de Hitler. "Não sei como lhe foram parar às mãos, lembro-me que as enviou ao meu pai", recorda Manuel Ramirez. Meses depois, a família decidiu prová-las, verificando que estavam em perfeito estado de conservação. "Estavam óptimas", recorda o empresário que aproveita o episódio para troçar das leis europeias que impõem um prazo de caducidade a todos os produtos».

  • Perfil do Embaixador da França em Portugal "O francês tem de despertar curiosidade"

    22 julho 2009

     Denis Delbourg cursou Filosofia na Universidade, frequentou a ENA (École Nationale d’Administration) – instituição criada depois da II Guerra Mundial para formar quadros para a administração pública francesa – e, depois disso, concorreu ao Ministério dos Negócios Estrangeiros porque queria “descobrir o mundo”. Gosta de ser diplomata, mas tem a lucidez suficiente para olhar para trás e constatar: “Quando se é jovem sonham-se muitas vidas... e eu até poderia ter gostado de ficar na Universidade. A filosofia é apaixonante.” Prestes a completar 57 anos, Denis Delbourg, embaixador de França em Portugal, conversou com o EXPRESSO ( http://aeiou.expresso.pt/) no dia em que o seu país comemorou um dos feitos mais importantes da sua História – a tomada da Bastilha, a 14 de Julho de 1789. Ciente de que França teve uma influência determinante no pensamento da Europa e do mundo nos séculos XVIII e XIX, e uma acção fundamental para a estabilização política da Europa no século XX, Delbourg afirma que um dos grandes desafios da língua francesa – que perdeu o seu lugar de grande língua de comunicação para o inglês – é o de encontrar um “espaço nos novos meios de comunicação. Para se aceder a conteúdos é preciso passar pela linguagem, mas para querer aprender uma língua” é necessário que o país que a tem como língua materna “seja capaz de despertar interesse e curiosidade”.

    Antes de vir para Lisboa, foi adido cultural em Nova Iorque, cônsul-geral no Rio de Janeiro e embaixador na Suécia. Diz que “Nova Iorque é um carrefour artístico fantástico. As elites culturais americanas têm um enorme conhecimento sobre a cultura francesa, que está presente nas Universidades – onde tanto a literatura francesa como a francófona são estudadas – no meio artístico e nos museus”. No quotidiano, a realidade é diferente, mas, apesar disso, “o cinema francês tem o seu lugar na América”. No Brasil, aprendeu português e apreciou “o orgulho que os brasileiros têm na mistura das suas múltiplas heranças. Estive lá na época do Presidente Fernando Henrique Cardoso e foi muito interessante, porque o país estava a modernizar-se economicamente”.

    Quando terminou as suas funções de embaixador em Estocolmo, Delbourg queria continuar na Europa. Portugal – de quem a França é o terceiro maior parceiro comercial – surgiu como um desafio interessante. “Já cá tinha estado no princípio dos anos 90, quando estava colocado no Ministério da Cultura. Vim assistir a parte das filmagens do ‘Soulier de Satin’ de Manoel de Oliveira”.

    O embaixador constatou que  "Portugal é um dos poucos países onde um francês pode fazer uma conferência ou palestra para uma plateia de 500 pessoas, sem ser necessário recorrer à tradução". A França é o terceiro maior parceiro económico de Portugal com um volume de exportações de 5,15 mil milhões de euros. A Alliance Française abriu a sua primeira escola em Lisboa em 1945 e neste momento tem 12 centros de ensino no país; para além destas escolas, existe um Instituto Franco-Português, em Lisboa.

    Manuela Goucha Soares

  • 6ª edição do "Summer Study Abroad in Lisbon" Americanos vêem Portugal como porta da Europa

    15 julho 2009

    "Apesar da nova geração" dos estudantes universitários norte-americanos "estar um pouco mais aberta a novas culturas, a chegada a Portugal continua a causar um certo choque nas suas expectativas", escreve Pedro Quedas no Diario Económico de 14 de Julho, na reportagem que dedica à 6ª edição do "Summer Study Abroad in Lisbon", uma "parceria entre o ISEG e a Universidade de Massachussetts-Dartmouth (UMass) que traz alunos norte-americanos a Portugal".

    "Este ano eles são 12. Nunca nenhum deles tinha vindo a Portugal e nunca nenhum deles tinha vindo à Europa. Como Portugal está neste processo de europeização acentuada, carrega consigo este duplo interesse de um país carregado de história mas também voltado para a Europa", explica António Goucha Soares, um dos dois professores responsáveis pela organização do "Summer Study Abroad in Lisbon".

    O outro responsável pelo "Summer Study Abroad in Lisbon", é o professor Michael Baum, da Universidade do Massachusetts. Os dois académicos conceberam este curso que dura um mês, e teve a sua 1ª edição em 2001, com o objectivo de "apresentar um lado diferente de Portugal. A abordagem é académica, com aulas dadas pelos dois docentes e palestras nas Universidades de Évora e Coimbra, e empresarial, com visitas a empresas com a Parque Expo ou a Herdade do Esporão. A vertente cultura e social não é esquecida, com visitas ao Palácio de Belém e ao seu Museu, à Assembleia da República e a monumentos históricos como o Mosteiro dos Jerónimos".

    Sendo um curso para jovens, a vida social também é contemplada: "é dado um grande destaque às relações entres os alunos internacionais e os colegas do ISEG, bem como às saídas às zonas históricas mais frequentadas da noite lisboeta. A diversidade do programa tem o grande objectivo de mostrar Portugal como um país moderno, diverso e com os olhos voltados para o futuro, explica o professora António Goucha Soares".

    A estudante da UMass, Christine Van Orden, 21 anos, disse ao jornalista Pedro Quedas: "Depois de aprender mais sobre Portugal, sobre Salazar e o regime da ditadura foi interessante perceber a rapidez com que as coisas mudaram, como Lisboa cresceu. É impressionante".

  • PERFIL DO EMBAIXADOR DA SUÉCIA EM PORTUGAL "Foi emocionante assistir à reunificação da Alemanha"

    03 julho 2009

    Bengt Lundborg nasceu na ”Veneza do Norte” – nome pelo qual (também) é conhecida a cidade de Estocolmo – a 27 de Dezembro de 1945. Filho de um diplomata de carreira, começou a viver por conta própria aos dez anos de idade, altura em que teve de deixar a companhia dos pais, que se encontravam em missão no estrangeiro, e regressou à Suécia para estudar num colégio interno. “Foi uma boa experiência, apesar de o primeiro embate não ser fácil para uma criança”, conta. “Mais tarde, na época em que já era eu a trabalhar como diplomata, os meus filhos não tiveram este problema porque já havia escolas internacionais em muitos países, coisa que não acontecia em meados dos anos 1950”.

    A vida profissional de Bengt tem-lhe proporcionado diversas oportunidades para reflectir sobre a evolução da geografia política: foi embaixador do seu país na Hungria entre 2003 e 2007, quase meio século depois de o pai ter ocupado esse posto, num tempo em que o mundo era um local muito diferente. Bengt, que se define como “um europeísta convicto”, teve o privilégio de estar colocado na Alemanha quando caiu o Muro de Berlim: “Foi fascinante assistir à reunificação das duas Alemanhas. Um processo muito emocionante, e foi também muito interessante” ver como a antiga Alemanha de Leste se foi integrando e adaptando às estruturas ocidentais, e a transformação que esta emblemática mudança política do final do século XX, permitiu operar na costa do Báltico. “No fundo, parte da costa era ocupada pela RDA, Polónia e pela Letónia, Estónia e Lituânia”. Vinte anos depois, “estes países são membros da UE”, o que permitiu grandes avanços em matéria de “ordenamento e protecção do ambiente”, tema muito caro à segunda presidência sueca da União Europeia, que começou na passada quarta-feira. “Os países do Báltico precisavam de ajuda para melhorar o ambiente e isso está a ser feito. Esta intervenção da UE nos ex-países comunistas é um dos seus maiores sucessos. Estocolmo vai ser a capital verde da Europa em 2010”.

    Bengt acredita na receptividade do seu país para com o euro. “Neste momento temos 43% a favor do euro, e 42 contra... um grande avanço, já que há poucos anos havia 68% contra”. Velejador na juventude, diz que a Suécia está a viver um novo baby-boom. “É normal os homens gozarem longas licenças de paternidade. Os meus dois filhos (homens) estiveram cada um deles quase seis meses em casa por causa do nascimento dos meus netos”.

    Manuela Goucha Soares

  • UNIÃO EUROPEIA Bruxelas 'liberta' consumo da fruta

    27 junho 2009

    A Europa trouxe-nos muitas vantagens e algumas bizarrias: impediu-nos de comer fruta saborosa só porque era pequena, impôs normas sobre galheteiros e saleiros nos restaurantes... e interveio de forma estranha noutros pequenos hábitos do quotidiano.

    Agora, sensatamente, Bruxelas revogou «as normas  as normas europeias que harmonizavam a calibragem das 36 frutas e legumes mais consumidos no continente, que estabeleciam, de Portugal à Lituânia, características idênticas para o diâmetro das melancias, a cor do tomate, a forma das maçãs ou a rectidão dos pepinos», de acordo com o EXPRESSO. Leia mais em http://aeiou.expresso.pt/tamanho-da-fruta-deixa-de-contar=f523071

     

  • PATRIMÓNIO DA UNESCO Fado na cisterna de El Jadida

    20 junho 2009

     A cisterna portugesa de El Jadida, o nome actual da antiga praça forte de Mazagão, foi o local escolhido para um concerto de fado, organizado pela embaixada de Portugal em Marrocos e pela Direcção de Cultura de Doukkala -Abda, daquele país do magrebe. O embaixador de Portugal em Marrocos, João Rosa Lã, disse ao Expresso que este "concerto de fado, interpretado por Cuca Roseta e Francisco Salvação Barreto, tem por objectivo promover o fado – como expressão da cultura portuguesa – e dar a conhecer a cisterna portuguesa de El Jadida, que foi distinguida com o segundo lugar" no concurso das 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.

    O realizador Orson Welles filmou partes do filme Othello nesta sumptuosa cisterna, classificada como património mundial da Unesco em 2004. A Fortaleza de Mazagão foi fundada em 1513 como entreposto comercial e ponto de apoio para os navegadores da Rota do Cabo. É, provavelmente, o melhor exemplar da arquitectua militar portuguesa do século XVI. No século XVIII, o Marquês de Pombal -decidiu que a cidade de Mazagão devia ser tranferida para o Brasil, mais concretamente para a Amazónia, onde veio a ser fundada a cidade de Nova Mazagão. A fortaleza marroquina foi abandonada, e a maioria dos seus habitantes de então rumou ao Brasil.
  • A EUROPA A OLHAR PARA BARROSO Arranja-me um emprego!

    17 junho 2009

    David Cronin escreve no The Guardian que a permanência de Durão Barroso para um novo mandato como Presidente da Comissão Europeia é "uma vergonha". De acordo com este jornalista irlandês, a questão do emprego é a grande preocupação actual de boa parte dos eurocratas de Bruxelas. Pelo menos, daqueles que têm os cargos mais bem remunerados:"No decorrer das próximas semanas, o verdadeiro tema de conversa nos círculos políticos de Bruxelas deverá ser apenas um: empregos. Esta tagarelice pouco terá a ver com a triste litania dos despedimentos que se encontra facilmente nos boletins noticiosos do mundo exterior. Girará, antes, em torno de quais os cargos que os membros de um grupo arrogante de homens (e uma ou duas mulheres), amorfos e que auferem salários excessivos, conseguirão conquistar".

    A verdade, é que Barroso, o pragmático José Manuel Barroso, tem sido fortemente criticado por alguma imprensa europeia. No dia 8 de Junho, o 'day after' das eleições europeias, o Le Monde - no seu editorial – acusava Barroso de falta de "carisma político", e de total inoperância perante a crise económica que se abateu sobre a economia mundial e europeia:  "Não é o Parlamento que está em falta, é Barroso, desprovido de carisma político e de qualquer imaginação económica", escreveu o Le Monde.

    Tudo indica que Barroso se aguentará à frente da Comissão. Mesmo quando a opinião de alguns dos mais reputados jornais europeus está decididamente contra ele.

    M.G.S.

  • ELEIÇÕES VISTAS DE LISBOA A importância da chuva no dia 7

    31 maio 2009

    Por muito pouco simpática que seja a previsão meteorológica para os portugueses que se preparam para ir a banhos, o www.weather.com dá chuva no rectângulo peninsular, para o Domingo, 7 de Junho, dia das Eleições Europeias. 

    No caso concreto, a meteorologia pode ser tão importante para os políticos quanto o é para os agricultores, já que poderá convencer, à última da hora, alguns portugueses a adiarem as mini-férias ou a trocarem uma ida à praia pelo Direito e DEVER cívico de irem votar.

    A Europa é um assunto demasiado sério para que os cidadãos eleitores dos 27 estados-membros da UE a deixem entregue aos exclusivos cuidados da classe política. Acresce dizer que esta se tem revelado pouco capaz de explicar a importância que cada uma das instituições europeias têm na nossa vida quotidiana e no desenvolvimento do(s) país(es).  «Há uma dificuldade, do ponto de vista da participação e da mobilização popular, em tornar o Parlamento Europeu (PE) uma organização menos remota e menos distante. Há aqui um problema de distância física e de distância afectiva. Mas o PE, hoje, é uma instituição essencial para a nossa vida quotidiana, só que não temos, como povo, essa consciência» disse hoje o ex-Comissário Europeu, António Vitorino, numa entrevista ao Diário de Notícias e à TSF. 

    Vitorino lamentou ainda o facto de, em Portugal, o tema da Europa estar a ser pouco ou nada discutido durante a campanha eleitoral: «Acho que esta campanha, sob esse ponto de vista, é muito frustrante. E é, devo dizer com mágoa, um retrocesso em relação a campanhas anteriores. Porque, em campanhas anteriores, apesar de tudo, havia sempre dimensões nacionais no debate e isso é perfeitamente natural, faz parte da vida política, do jogo político. Mas havia mensagem europeia, havia um conjunto de temas propriamente europeus, que eram temas em relação aos quais os candidatos se sentiam na necessidade de se definir e que despolarizavam parte importante do debate. Nesta campanha, devo confessar que de facto praticamente não vejo temas europeus». 

    M.G.S.