EMBAIXADOR DA TURQUIA EM PORTUGAL A comunidade internacional tem de resolver a questão de Chipre do Norte
Filho e neto de diplomatas, teve o seu primeiro posto como embaixador em Portugal. No próximo mês, Kaya Türkmen, 53 anos, deixa o nosso país para chefiar a embaixada da Turquia na metade da cidade de Nicósia que é a capital da República Turca do Chipre do Norte.
Um desafio difícil – mesmo para quem trabalhou no Afeganistão ocupado pelos soviéticos – pois, na prática, vai ser o único embaixador estrangeiro nesse país, que é reconhecido pela Turquia, mas inexistente aos olhos da comunidade internacional.
“A questão cipriota tem quase meio século; começou em 1963 e já durou demasiado tempo. O mundo não pode permitir que este problema se mantenha. Na minha opinião, as duas comunidades (cipriotas gregos e cipriotas turcos) precisam de ajuda externa para negociar. E essa ajuda tem de vir da Grécia, da Turquia, da ONU e da UE", disse ao Expresso Kaya Türkmen.
Chipre pertenceu ao império otomano entre os séculos XVI e XIX. A conferência de Berlim decidiu que a ilha seria um protectorado britânico e, em 1914, passou a ter o estatuto de colónia. Em 1960, tornou-se independente e, três anos mais tarde, surgiram os primeiros focos de violência entre as comunidades grega e turca: “Só tenho notícia de se terem realizado três casamentos mistos na ilha”, diz Türkmen para ilustrar o clima de tensão que sempre existiu entre as duas comunidades cipriotas.
Kaya nasceu em Bruxelas, passou a primeira infância em Roma, e fez a escola primária na Alemanha – onde ficou a viver com os avós maternos, quando o pai foi colocado na embaixada turca no Paquistão. Depois disso, a mãe decidiu regressar à Turquia, para garantir que os dois filhos iriam viver a sua juventude e estudar no país da família – para conhecerem a cultura e tradições do seu povo.
Cidadão do mundo e muçulmano não-praticante, reconhece que o meio onde nasceu foi decisivo para a escolha da profissão: “Ao fim de três ou quatro anos num sítio, já começo a pensar para onde vou a seguir. Tenho a sensação de que os cinco anos mais longos da minha vida foram aqueles que passei em Ancara antes de vir para Portugal”, em Janeiro de 2007.
Quando chegou a Lisboa, tanto ele como a mulher, Nurdan – uma jornalista que suspendeu a carreira por escrever sobre assuntos europeus, incompatíveis com uma parte substancial da carreira do marido – tiveram “um caso de amor” com Portugal: “Os portugueses têm uma grande história e são um povo condescendente e simples; essas qualidades são difíceis de encontrar.
Texto de Manuela Goucha Soares